Em um cenário de pressão por eficiência e controle financeiro, empresas têm voltado a atenção para um problema muitas vezes negligenciado nas viagens corporativas: os custos invisíveis gerados pela falta de gestão integrada. Mais do que o preço das passagens ou hospedagens, falhas operacionais e ausência de controle têm impactado diretamente os orçamentos corporativos.
Entre os principais fatores estão compras fora da política da empresa, remarcações mal geridas, baixa visibilidade sobre despesas e processos descentralizados, que dificultam o acompanhamento em tempo real dos gastos.
Segundo levantamento da Global Business Travel Association (GBTA), empresas podem reduzir em até 20% os custos de viagens corporativas quando adotam políticas estruturadas e processos centralizados de gestão. A entidade também aponta que a falta de conformidade nas reservas é um dos principais desafios enfrentados pelos gestores da área.
Na avaliação da Voetur Viagens, TMC referência do setor, o mercado corporativo tem passado por uma mudança importante na forma de enxergar eficiência nas viagens. A empresa observa um crescimento na busca por operações mais integradas, com maior controle sobre aprovações, despesas e comportamento dos viajantes corporativos.
Para Humberto Cançado, Sócio-Diretor na Voetur Viagens, muitas empresas ainda concentram esforços apenas na negociação de tarifas, sem observar perdas operacionais que acontecem ao longo de toda a jornada corporativa.
“Muitas vezes, o problema não está no valor da passagem, mas na falta de controle sobre como as viagens acontecem. Compras feitas fora de política, alterações sem gestão adequada e ausência de acompanhamento geram perdas que acabam passando despercebidas”, afirma.
Segundo o executivo, um dos principais desafios está na descentralização das operações, especialmente em empresas que ainda utilizam processos pouco integrados.
“Quando a empresa não possui uma gestão centralizada, perde visibilidade sobre os gastos e dificuldade para identificar padrões, desperdícios e oportunidades de melhoria. Isso impacta desde o orçamento até a experiência do colaborador”, completa Humberto.
A Voetur aponta ainda que a digitalização das viagens corporativas tem ampliado a demanda por ferramentas que automatizem aprovações, organizem fluxos operacionais e permitam maior previsibilidade financeira.
A preocupação com eficiência ocorre em um momento de crescimento do setor. Dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev, mostram que o segmento movimentou R$ 12 bilhões em janeiro de 2026, maior valor já registrado para o período.
Segundo Humberto, empresas tendem a priorizar cada vez mais soluções capazes de integrar diferentes etapas da jornada corporativa, reduzindo desperdícios e tornando a gestão mais estratégica. “Hoje, eficiência não significa apenas gastar menos. Significa ter previsibilidade, controle e inteligência na tomada de decisão”, finaliza.