Henrique Carbonell fundou a F360 após prestar atenção na franquia dos pais. Hoje, empresa desenvolve tecnologia com foco na reforma tributária para automatizar planos de ação e facilitar a implementação do split payment
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Com quase 12 anos de atuação no mercado, a F360, plataforma de gestão financeira voltada a pequenas e médias empresas do varejo, cresceu 34% em 2025, com uma receita registrada de R$ 36,9 milhões e Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação) de R$ 7,4 milhões, com margem de 21,5%. Para este ano, a empresa projeta faturamento de R$ 46 milhões, uma ampliação estimada de 32% no caixa. Atualmente, a companhia conta com uma base de mais de 15 mil clientes, operando com uma equipe de 120 funcionários e mantendo um histórico de crescimento anual entre 30% e 35%.
A trajetória da F360 está diretamente conectada à vivência pessoal de seu fundador, Henrique Carbonell. O jovem cresceu no ambiente do empreendedorismo varejista, acompanhando seus pais, empresários do setor de franquias há mais de 26 anos. Após uma experiência de quatro anos no setor bancário, Carbonell ingressou nos negócios da família aos 21 anos e identificou uma lacuna crítica na gestão operacional.
“Trabalhando no grupo da minha família, encontrei a oportunidade de mercado de ter uma plataforma de gestão financeira para o pequeno e médio varejista”, conta o fundador da F360.
O embrião da empresa surgiu da necessidade de substituir processos manuais. Embora seu pai tivesse uma gestão estruturada, era baseada inteiramente em planilhas, o que tornava o trabalho sobrecarregado e difícil de delegar à medida que o grupo expandia, chegando a 15 estabelecimentos.
“Ali eu percebi o quão mal servido de soluções de backoffice o pequeno e médio varejista é no Brasil. Entendendo essa dor, vi que havia uma oportunidade de negócio importante na mão”, diz.
Formado em administração, saiu à procura de alguém que tivesse o conhecimento não somente para desenvolver o software, mas que enxergasse o potencial do projeto da F360. A partir dessa busca, ele encontrou Luiz Saouda, que permanece como seu sócio até hoje e ocupa o cargo de CTO (chief technology officer), executivo responsável por decisões relacionadas à tecnologia na empresa.
Os principais gargalos enfrentados pelo pequeno e médio varejista no Brasil, segundo Carbonell, residem na altíssima volumetria de dados e em ciclos financeiros desfavoráveis. O empresário ilustra esse cenário citando o exemplo de uma loja de médio porte que realiza cerca de 3 mil operações de venda por mês, muitas delas parceladas. “Isso gera uma complexidade de controle que muitas vezes leva à insolvência”, afirma.
Carbonell pontua que a mortalidade no setor de PMEs, estimada em cerca de 35% pelo Sebrae, está ligada a essa falta de visibilidade das finanças. “Se você não tem dados bem estruturados e tecnologia aportada, você deixa de ter uma visibilidade do seu fluxo de caixa”, explica. Esse cenário é refletido na própria operação da F360, em que um terço dos cancelamentos de assinaturas ocorre devido ao encerramento das atividades comerciais dos clientes, ressalta o executivo.
A F360 posiciona-se como uma plataforma SaaS (Software as a Service) que roda 100% em nuvem e representa a evolução de um sistema de backoffice para um ecossistema que oferece antecipação de recebíveis no mesmo ambiente de operação. Na prática, o cliente pode receber o adiantamento de compras parceladas e repassar os pagamentos da bandeira do cartão de crédito para a companhia.