Franquias crescem 10,1% no 1º trimestre de 2026

Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising, o setor faturou R$ 72,7 bilhões no período. No acumulado dos últimos 12 meses, a receita somou R$ 308,4 bilhões, um avanço de 10,7%

O setor de franquias faturou R$ 72,7 bilhões nos três primeiros meses de 2026, registrando um crescimento de 10,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, a receita somou R$ 308,4 bilhões, um avanço de 10,7%. Os dados são da Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

De acordo com a entidade, o resultado foi estimulado pelo aumento da massa de rendimento da população brasileira no mesmo período – que chegou a R$ 374,8 bilhões, maior patamar da série histórica, com crescimento de 7,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também colaborou o aquecimento das vendas em períodos sazonais relevantes para o varejo, como Carnaval e Páscoa.

“O crescimento consistente da receita reflete não apenas a força das marcas e dos franqueados, mas também um ambiente de consumo interno mais ativo”, diz Tom Moreira Leite, presidente da ABF.

No período, o saldo entre aberturas e fechamentos de unidades franqueadas também se manteve positivo, com um crescimento de 1,5% no volume de operações. A variação representa um acréscimo de 6.178 operações de franchising no país em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 204.908 franquias. As operações respondem por cerca de 1,788 milhão de postos de trabalho diretos.

Para Leite, mesmo com a taxa básica de juros ainda alta — atualmente em 14,5% —, o franchising brasileiro continua crescendo por reunir atributos valorizados em ambientes econômicos mais desafiadores. “Muitas redes vêm aprimorando seus formatos operacionais, com modelos mais compactos, menor intensidade de capital e maior produtividade, o que melhora retorno sobre investimento. Outro diferencial importante é a capacidade de geração de caixa.”

Segundo os dados da ABF, a participação dos modelos digitais entre os formatos de operação se estabilizou no cenário pós-pandemia. Já os pontos de venda físicos, principalmente em ruas e shoppings, voltaram a ganhar espaço. No primeiro trimestre do ano, as lojas de rua lideraram entre os modelos de operação, concentrando 60% das franquias, contra 53,5% no mesmo período do ano passado. O segundo principal modelo foram lojas em shopping (17,3%), seguidas pelas operações home based (10,3%).

“O avanço das lojas de rua reflete transformações urbanas, imobiliárias e comportamentais bastante relevantes”, diz Leite. Segundo o executivo, o Brasil vive um processo consistente de verticalização e crescimento de empreendimentos residenciais compactos, especialmente em grandes centros e cidades médias, o que cria uma demanda crescente por serviços de proximidade e conveniência. “É nesse contexto que segmentos como minimercados autônomos, lavanderias, cafeterias, conveniência, saúde e serviços rápidos vêm ganhando espaço”, aponta.

Modelos de operação (% de unidade – 1º tri)

Modelo2025 2026 
Loja de rua 53,5% 60% 
Shopping 16,9% 17,3% 
Supermercados/Galerias 6,6% 5,3% 
Strip Mall 0,5% 0,5% 
Terminais de transportes 0,6% 0,5% 
Home based 10,9% 10,3% 
Virtual 1,7% 1,3% 
Outros 9,3% 4,9% 

Fonte: Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF)

O movimento também ajuda a explicar os segmentos com maiores crescimentos percentuais em receita. O maior destaque foi Alimentação – Comercialização e Distribuição, que avançou 22% no acumulado dos últimos 12 meses, impulsionado pelo desempenho de formatos voltados ao consumo imediato. “Trata-se de um segmento com atributos operacionais muito sólidos: alta recorrência de consumo, giro acelerado, previsibilidade de demanda e forte capacidade de geração de caixa”, aponta Leite.

Na sequência, Saúde, Beleza e Bem-Estar registrou alta de 18%, com o avanço de redes de cosméticos, farmácias e serviços de cuidados pessoais, embalado pela busca crescente por bem-estar, autocuidado e conveniência. O terceiro maior avanço foi registrado por Limpeza e Conservação, com crescimento de 13,8%. De acordo com Leite, o segmento segue favorecido especialmente pelo aumento da demanda por praticidade no dia a dia e pelas mudanças no perfil das moradias urbanas.

No acumulado dos últimos 12 meses, todos os segmentos monitorados pela entidade tiveram alta no faturamento.

Crescimento por segmento nos últimos 12 meses (% de faturamento)

SEGMENTO %VAR 2025 – 2026
Alimentação – Comercialização e Distribuição 21,5
Alimentação – Food Service 10,1
Casa e Construção 7
Comunicação, Informática e Eletrônicos 8,1 
Entretenimento e Lazer 9,5
Hotelaria e Turismo 8,7
Limpeza e Conservação 16,1
Moda 5,7
Saúde, Beleza e Bem Estar 15,3
Serviços Automotivos 8,2
Serviços e Outros Negócios 6,2
Educação 6,1
TOTAL10,7

Fonte: Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF)