Lei Felca acelera profissionalização da creator economy e pressiona plataformas por mais controle e transparência

A entrada em vigor da Lei nº 15.211/2025, conhecida como Lei Felca, em março de 2026, começa a provocar mudanças estruturais no mercado digital brasileiro, especialmente entre criadores de conteúdo e plataformas que operam comunidades online.

A legislação estabelece novas regras para proteção de crianças e adolescentes na internet, incluindo maior rigor na verificação de idade, controle de acesso e responsabilização sobre conteúdos e interações em ambientes digitais.

O avanço da regulação ocorre em um momento de forte expansão da creator economy. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por estruturas mais robustas de operação, diante de um ambiente que historicamente se desenvolveu com baixa formalização.

Na prática, a nova legislação deve impactar diretamente a forma como criadores monetizam conteúdo e gerenciam suas audiências. Modelos baseados em comunidades abertas e pouco controle tendem a enfrentar mais desafios, enquanto ambientes com acesso restrito, rastreabilidade e gestão de usuários devem ganhar protagonismo.

“O mercado de criadores sempre cresceu muito rápido, mas com pouca estrutura. A Lei Felca acelera uma mudança que já estava em curso, que é a transformação do criador em um negócio mais organizado, com responsabilidade sobre quem acessa, como acessa e o que é entregue”, afirma Fernando Werneck, CEO da Vibx, empresa de tecnologia especializada em automação, gestão e monetização de negócios digitais no Telegram.

Nesse contexto, cresce a relevância de infraestruturas tecnológicas capazes de integrar monetização, controle de acesso e automação. Plataformas voltadas exclusivamente à distribuição de conteúdo tendem a enfrentar limitações diante das novas exigências regulatórias, especialmente no que diz respeito à governança e ao controle de usuários.

“O que muda não é só a regra, é o nível de exigência do mercado. Não basta mais ter audiência, é preciso ter controle sobre ela. Isso passa por tecnologia, por gestão e por processos. É uma evolução natural de um mercado que está amadurecendo”, completa Werneck.

Dados recentes também mostram o tamanho da oportunidade e do desafio. O Telegram, por exemplo, ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais globalmente, com cerca de 500 milhões de usuários diários, segundo a Demand Sage. No Brasil, a plataforma já alcança aproximadamente 38% da população, consolidando-se como um dos principais ambientes para comunidades digitais e monetização direta.

Nesse cenário, plataformas como o Telegram ganham relevância por já oferecerem mecanismos nativos de organização, segmentação e controle de acesso, o que facilita a gestão de comunidades e a implementação de camadas adicionais de governança por parte dos criadores.

A leitura do mercado é que a Lei Felca não impacta apenas o ambiente jurídico, mas acelera uma transformação mais ampla. A creator economy entra em uma nova fase, marcada por maior profissionalização, governança e responsabilidade digital.

Para os criadores, isso implica maior responsabilidade sobre o conteúdo produzido e sobre o público que acessa suas comunidades. Já do ponto de vista de infraestrutura tecnológica, não há mudanças estruturais, mas sim uma adaptação na forma como essas ferramentas passam a ser utilizadas dentro das novas exigências.

Fonte: Revista PEGN