Claudia Cristina é dona da Ouros da Terra, empresa que une capim dourado, pedras naturais e resíduos têxteis em um modelo de “luxo acessível”
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Cláudia Cristina, CEO da Ouros da Terra, transformou a necessidade de um recomeço em um modelo de negócio sustentável. Após superar um quadro severo de depressão, a empreendedora da Zona Leste de São Paulo encontrou nas biojoias mais do que uma fonte de renda: um propósito. Hoje, ela utiliza capim dourado, palha de buriti, pedras naturais e técnicas de reaproveitamento de tecidos africanos para provar que o artesanato de luxo pode ser, simultaneamente, um resgate emocional e um empreendimento rentável e inclusivo.
Desde pequena, Cristina tentava entrar no ramo do empreendedorismo, vendendo desenhos para os amigos do pai e, mais tarde, DVDs e roupas. No entanto, foi durante a pandemia, após uma viagem a Minas Gerais, que o negócio ganhou forma. Por sugestão de uma prima, ela trouxe peças de biojoias para vender em São Paulo e pagar a faculdade de Serviço Social.
O investimento inicial foi de R$ 75 para comprar uma maleta organizadora. “O que era um quebra-galho virou minha principal fonte de renda. Comecei empreendendo com o capim dourado e depois, conforme o nome da marca sugere — Ouros da Terra —, passei a entender que as pedras naturais, os cristais e tudo que vem do biológico cabia bem na marca e comecei a desenvolver as peças”, conta Cristina em entrevista a PEGN. O negócio nasceu oficialmente em 2023.
O retorno do investimento veio logo no primeiro mês, impulsionado pelo boca a boca e, posteriormente, pela profissionalização por meio da carteira de artesã do programa “Mãos e Mentes Paulistanas”, da Prefeitura de São Paulo, e a presença em feiras e eventos.
Os preços das peças, produzidas artesanalmente apenas por ela, variam entre R$ 35 e R$ 270. O segredo para manter o valor acessível está nas parcerias: o capim dourado vem de familiares que já trabalham com a produção, enquanto pedras e cristais vêm de fornecedores selecionados.
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“A intenção da Ouros da Terra é desconstruir a ideia de que o artesanato de luxo ou a biojoia precisa ser tão caro. É mostrar que você pode sim usar uma peça de qualidade e pagar um valor acessível e justo. A marca me trouxe o resgate emocional; cada peça é uma celebração da vida e quero que a pessoa use não apenas um adorno, mas algo com sentido e sentimento”, afirma a empreendedora.
O faturamento da marca atinge o pico em datas comemorativas como o Dia das Mães e o Natal, chegando a uma média de 150 peças vendidas. Para manter o caixa estável nos meses de baixa (janeiro e fevereiro), Cristina aplica conceitos de slow fashion.
Aproveitando as sobras de tecidos africanos e jeans reutilizável, ela lançou uma coleção de leques e bolsas. “O leque foi uma forma de aproveitar o ‘retalho do retalho’ e focar no Carnaval e no calor desses meses”, pontua.
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Atualmente, a Ouros da Terra marca presença em duas lojas colaborativas: a Revivarts, localizada no Shopping Boulevard Tatuapé, em São Paulo, e a Rosalina, em Campinas, focada no afroempreendedorismo. Além disso, vende pelo WhatsApp e entrega em estações de metrô de São Paulo.
Apesar do sucesso, Cristina encara os desafios comuns a empreendedores periféricos. “Como afroempreendedora morando na periferia, administrar os recursos entre casa e comércio é difícil. Tenho muitas ideias, mas às vezes fico empacada por falta de capital”, relata ela.
Para o futuro, percebendo que muitos clientes compram suas joias para presentear pessoas fora do país, a artesã planeja estruturar a exportação de seus produtos. “Quero encurtar essa ponte e me preparar para esse público exigente”.