Fábrica que produz até 550 mil doces ‘nostálgicos’ por dia no interior de SP fatura R$ 20 milhões

A Bruju Doces viralizou ao mostrar produção dos quitutes para responder a um boato regional. Empresa projeta crescer até 20% em 2026 com expansão logística no interior paulista

Fábrica da Bruju, em Barretos (SP): empresa publicou vídeo mostrando o processo de produção após comentários nas redes e alcançou mais de 1,2 milhão de visualizações
Fábrica da Bruju, em Barretos (SP): empresa publicou vídeo mostrando o processo de produção após comentários nas redes e alcançou mais de 1,2 milhão de visualizações — Foto: Reprodução/Instagram

Um vídeo que mostra a produção de doces “nostálgicos”, como “coração vermelho”, “coração amarelo”, copinho de banana, geleias e doce de abóbora viralizou nas redes sociais e ativou a memória afetiva de muitos usuários. A empresa por trás do registro é a Bruju Doces, sediada em Barretos (SP), que produz até 550 mil doces por dia e registrou um faturamento de R$ 20 milhões em 2025. Apesar da visibilidade, os sócios afirmam que o intuito do vídeo não foi viralizar, mas “proteger a marca”.

Segundo Vanderlei Alves da Silva, de 54 anos, o post, feito em 21 de janeiro, foi planejado como uma resposta a rumores de mercado. Uma empresa do setor em Campinas teria sido interditada pela vigilância sanitária, e boatos nas redes sociais tentaram associar o caso à Bruju.

“Mesmo com uma distância de quase 400 quilômetros e marcas distintas, surgiram comentários levantando a hipótese de ser a Bruju. Tivemos a ideia de mostrar que nossa produção segue as normas. Filmamos para demonstrar que temos todas as licenças ambientais, vigilância sanitária e Anvisa em vigor”, afirma Silva. O vídeo foi produzido por uma agência externa e viralizou de forma orgânica, atingindo 1,2 milhão de visualizações. O empreendedor afirma que não esperava a repercussão: “Imaginávamos talvez 2 ou 3 mil visualizações. Fomos pegos de surpresa”.

Nos comentários, o tom era de nostalgia e apelo a memórias afetivas. “Não tem brigadeiro que ganhe desses doces”, escreveu uma usuária. Outra afirmou: “São os melhores. E faz lembrar da infância”. Houve ainda quem associasse o conteúdo ao passado: “Que nostalgia chegar nessa página final dos anos 80 até 93 [SIC]”, publicou uma internauta. “Nossa, voltei há 30 anos atrás [SIC]”, comentou outra.

A Bruju Doces foi fundada por Silva em 2012, após o encerramento de seu ciclo como gestor no setor têxtil. “Eu decidi abrir um negócio em 2011. Me desliguei da empresa onde eu era gestor, que era uma confecção, um ramo bem diferente, e comecei a implantar a Bruju”, afirma. O aporte inicial para colocar o negócio de pé foi de R$ 160 mil, direcionados integralmente para a compra de equipamentos de produção.

A sociedade com o amigo Adailton Brígido de Arruda, de 52 anos, surgiu durante a fase de pesquisa. Inicialmente, Silva planejava abrir uma fábrica ou loja de ferramentas, mas a ideia da fábrica de doces foi amadurecida em conjunto. A inauguração ocorreu em abril de 2012, em um espaço de 150 m², com apenas dois funcionários e sem veículos próprios. “Eu não tinha nenhum conhecimento para isso. Tive a assessoria de um fabricante que conhecia a forma e como produzir o doce. A pessoa veio e ensinou”, relembra Silva.

A instalação em Barretos trouxe dificuldades técnicas nos primeiros seis meses de operação devido às altas temperaturas da cidade. Silva explica que o doce que pretendiam fabricar era tradicional em regiões de clima mais ameno, como Campinas e São Paulo. “A gente fazia o doce e não dava o ponto em função da temperatura aqui. Foi a primeira grande dificuldade. Tivemos que desenvolver uma receita específica para essa região devido ao clima diferente”, diz.

Após superar a barreira técnica, a empresa mudou-se no segundo ano para um prédio de 400 m², com quadro de funcionários entre 8 e 10 pessoas. No décimo ano de operação, a Bruju migrou para a estrutura atual, um parque fabril de 2.200 m² em Barretos.

Logística própria e capilaridade nacional

Atualmente, a empresa opera com um centro de distribuição em Hortolândia (SP) e uma frota de 7 caminhões próprios. Silva destaca que a entrega direta é um pilar do modelo de negócio. “Nossas entregas, com raras exceções, são feitas com veículos próprios. Temos um veículo que faz apenas os traslados de Barretos para o centro de distribuição de Hortolândia, e lá veículos menores fazem a distribuição na região, desde o litoral até o norte e sul, e partes do Paraná”, detalha Silva.

A estratégia de vendas foca em distribuidoras e lojas, evitando a venda direta para bares e restaurantes. O faturamento é dividido entre:

  1. Loja de fábrica: tíquete médio entre R$ 80 e R$ 100.
  2. Vendas para revenda (Fábrica): tíquete médio de aproximadamente R$ 4 mil.

Silva explica que o alcance da marca abrange quase todo o estado de Minas Gerais e São Paulo. No Rio de Janeiro e em partes do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a empresa opera por meio de parcerias com outros fabricantes e revendas. “No Nordeste, como Bahia, Sergipe e Pernambuco, o produto vai com a nossa marca, mas por meio de revendas que atuam nessas regiões”, afirma Silva.

A produção própria da Bruju foca em sete itens principais, como os mostrados no vídeo. Outros 35 a 40 itens, como paçoca, pé de moça, quebra-queixo e marshmallow (mocotó), são produzidos por parceiros sob a marca Bruju.

A demanda é altamente sazonal. “Temos um aumento de demanda muito alto em torno de duas a três semanas após a Páscoa, que vai até o Dia das Crianças. Depois, há um declínio”, explica Silva. O carro-chefe é o doce de batata-doce, seguido pelo pé de moça e paçoca. Em meses como outubro e dezembro, predominam os doces em caixaria devido às festividades de Cosme e Damião e festas de fim de ano.

A capacidade produtiva da fábrica é de 550 mil unidades por dia. No entanto, durante meses mais quentes, a produção oscila entre 180 mil e 240 mil doces diários. Silva ressalta que o consumo de açúcar aumenta no inverno, o que eleva as vendas nos meses frios.

Após registrar R$ 20 milhões de faturamento em 2025, a Bruju trabalha com uma projeção de crescimento de 8% a 12% para 2026 dentro da carteira atual. No entanto, o plano de expansão logística pode elevar esse índice para 20%.

O foco da expansão é a região de Presidente Prudente (SP). “Atualmente temos dois clientes lá que buscam o doce aqui. Queremos abrir a região para que nosso caminhão próprio faça a entrega direta”, diz Silva. O empresário explica que a responsabilidade pelo transporte é crucial para manter a qualidade sanitária. “Se o doce fica exposto a altas temperaturas em transportadoras comuns, ele pode estragar. Por isso, investimos em frota própria para garantir o padrão”, conclui.