A trajetória do empresário que transformou um hobby em negócio milionário

A trajetória de Adriano Buzaid teve o start nas pistas, mas foi no céu que ele encontrou as melhores oportunidades. Aos 14 anos de idade, com o sonho de ser piloto de automobilismo, entrou para o kart usando as próprias economias e começou a revender tênis importados para ganhar dinheiro e se manter no esporte competitivo. Aos 17, conseguiu entrar na Fórmula Ford, na Inglaterra, onde ficou por seis anos. Até que, em 2011, flertou com a tão esperada Fórmula 1, mas não ingressou por falta de verba e entendeu que era hora de recalcular a rota.

De volta ao Brasil, o jovem decidiu olhar para outros hobbies e enxergou a possibilidade de entrar no mercado de aviões e helicópteros de controle remoto. “Fiz um plano de negócio e comecei a visitar possíveis clientes. Porém, percebia que eles já estavam muito consolidados com os distribuidores dos aeromodelos e não viam minhas propostas com interesse”, lembra.

Entretanto, ele conta que, no final das visitas, apresentava um vídeo de um drone recém-lançado e dizia que estava trazendo a novidade ao Brasil. Naquele momento, via os olhos dos outros brilharem. “Eu ainda não tinha nada, não falava de preço, mas as pessoas começavam a me pedir para reservar algumas unidades. Então, entendi que faria mais sentido apostar todas as minhas fichas nesse segmento.”

Decidido, vendeu o carro e outros bens para fazer a primeira compra internacional da então criada Gohobby. Apesar de ter somente R$ 80 mil na conta, Adriano apresentou um business plan bem estruturado que convenceu o gerente a apostar na ideia e pediu o pai, correntista do banco há anos, para ser avalista. “Tudo aconteceu graças ao apoio do Itaú Empresas, que me ofereceu uma opção de crédito para realizar a importação quando fechei um contrato de R$ 1 milhão”, recorda.

O primeiro contêiner chegou com 720 drones, todos do mesmo modelo e com apenas três variações de cor. O estoque durou somente quatro meses. E assim, usando as vendas para comprar novos produtos, a empresa começou a caminhar. “Eu sempre fui muito agressivo com o negócio. Sabia que quanto mais dinheiro eu pudesse colocar nele, mais retorno teria e mais rápido cresceria”, comenta.

Porém, em 2016, Adriano enfrentou uma crise importante que quase quebrou a empresa. Em julho, os auditores da Receita Federal decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado e todas as importações ficaram represadas.

Por conta da greve, em setembro o empreendedor se viu sem estoque e de mãos atadas em meio a uma grande pressão dos clientes. E foi só em dezembro que as coisas voltaram aos eixos. “Hoje entendo que poderia ter dividido as cargas para correr menos riscos ou ter feito o giro de uma forma menos arriscada”, afirma.

Porém, entre os percalços, a empresa cresceu e se consolidou. A Gohobby, que começou com um faturamento de R$ 300 mil, deve fechar em 2025 chegando aos R$ 200 milhões.

Adriano também credita o sucesso à boa parceria que tem com o banco. “O Itaú sempre acreditou no negócio. Imagina que, em 2011, eu falava para o gerente sobre drones, sem ter garantias a oferecer, e ele embarcava comigo, trazendo opções de linhas de crédito. Isso porque o banco tem essa visão de construir um futuro mais inovador”, diz.

Além disso, ele ressalta o respeito que a instituição teve nos momentos em que optou por trabalhar com caixa próprio e o apoio que recebeu em cada fase diferente do empreendimento, indo além dos produtos, com consultorias personalizadas.

O empresário ainda destaca a importância da atuação do banco no financiamento de importações, já que faz o pagamento do fornecedor internacional no início do processo, para que ele comece a fabricar. O tempo que leva até a carga chegar, ser liberada, entrar no centro de distribuição e o produto começar a girar é muito longo. “Então, você precisa de um parceiro que acredite que o dinheiro vai entrar no caixa, que você vai pagar o banco, e que aquele ciclo vai começar novamente na próxima importação”, comenta.

Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou a importância do apoio consultivo e das soluções do Itaú Empresas para a atuação com mercados internacionais. De acordo com dados da pesquisa, clientes do Itaú Empresas têm 70% mais chance de se tornarem exportadoras e 50% mais chance de se tornarem importadoras, acessando insumos e tecnologias inovadoras, abrindo novos mercados.

Atualmente a Gohobby investe na fabricação própria de drones e sistemas antidrones — Foto: Marcelo Pereira
Atualmente a Gohobby investe na fabricação própria de drones e sistemas antidrones — Foto: Marcelo Pereira

Drones e outras inovações

Aos poucos, a empresa foi se diversificando e atendendo a demandas cada vez mais específicas de diferentes setores. Na categoria enterprise, de modelos usados para fins profissionais e industriais (como policiamento, órgãos públicos, mineradoras e engenharia), a Gohobby tem um marketshare de 47%.

Já no segmento do agronegócio, que está cada vez mais interessado nessas tecnologias para agricultura de precisão, Adriano assume que entrou tardiamente e está correndo atrás. Mesmo assim, já conquistou 16% do mercado com uma parceria com uma companhia chinesa.

Um marco importante da trajetória da Gohobby foi o investimento na fabricação própria de drones e sistemas antidrones, com soluções de segurança, em 2023. A produção é feita na China e Adriano estuda a possibilidade de entrar em outros mercados.

Agora, o empreendedor vem investindo em novidades como robôs humanoides e cachorros robôs – e no veículo aéreo não tripulado elétrico. “O eVTOL é como se fosse um carro voador para duas pessoas, para transporte de curta distância. Um voo entre Congonhas e Guarulhos, por exemplo, é feito em quinze minutos com custo de R$ 14 de eletricidade”, explica. Os primeiros modelos chegaram há dois anos, entretanto, a modalidade ainda aguarda a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Sobre a aceitação do mercado às novidades futuristas, Adriano se diverte. Ele conta que, no começo, com os drones, as pessoas ficavam céticas, mas os equipamentos foram se popularizando e fazendo tudo aquilo que prometiam. “E isso é cíclico. Hoje, quando ofereço um humanoide, é como se eu tivesse lá atrás em 2011 de novo. Eu preciso convencer que aquilo é útil. Mas daqui algum tempo o robô vai estar na sua casa. A gente aqui já viu esse filme e sabe que a venda será uma loucura nos próximos anos, bem como a popularização dos carros voadores”, afirma.

Fonte: Revista PEGN