O avanço dos strip malls e o futuro do varejo de conveniência

Com proximidade, diversidade de serviços e integração digital, formato deve se expandir nos próximos anos, apontam especialistas

O varejo brasileiro passa por uma transformação silenciosa, mas acelerada: a ascensão dos strip malls. Definidos como uma versão organizada do comércio de rua, eles unem a praticidade da vizinhança à estrutura planejada dos shoppings. Com mix de serviços que vai de farmácias a restaurantes, passando por academias e pet shops, oferecem uma experiência de “one stop shop”, em que o consumidor resolve várias demandas no mesmo local.

Segundo o Censo 2025 da Associação Brasileira de Strip Malls (ABMalls), apresentado pela superintendente Janice Mendes, o Brasil já conta com mais de 1.505 strip malls identificados em 14 estados e 89 municípios, totalizando 233 empreendimentos ativos. O levantamento mostra ainda que 39% são de pequeno porte (até 1.500 m² de ABL), 22% médios e 39% grandes, com área média superior a 4 mil m².

Conveniência e resiliência em tempos de crise

A principal força do modelo está na comodidade. “Hoje, conveniência significa economia de tempo. As pessoas valorizam cada vez mais o que está perto de casa ou do trabalho”, afirmou Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls, durante painel “O Futuro dos Strip Malls” no Latam Retail Show 2025, evento que acontece até esta quarta-feira (17) em São Paulo.

Essa proximidade se refletiu na pandemia. De acordo com dados apresentados pela ABMalls, em abril de 2020, enquanto shoppings tradicionais registraram queda de até 90% nas vendas, os strip malls tiveram retração de apenas 25% a 30%. A explicação está no foco em serviços essenciais, como farmácias e supermercados, que mantiveram a demanda mesmo nos momentos mais restritos.

O futuro: diversidade e digitalização

Para Fernanda Paiva, diretora de qualidade da GSA Ativos, empresa de ativos imobiliários, o futuro dos strip malls será marcado pela diversidade. “Esses empreendimentos vão abrigar diferentes formatos, serviços e experiências. O digital terá papel crescente, e a integração com o físico não pode ser negligenciada”, destacou.

Entre os segmentos mais presentes nos strip malls estão restaurantes (94%), academias (34%), farmácias (32%), mercados (30%) e pet shops (25%). Outros negócios em alta incluem cafeterias, lavanderias, salões de beleza e serviços de saúde.

Perspectivas para empreendedores

Com custo de ocupação mais acessível que os shoppings tradicionais e fluxo constante de consumidores da vizinhança, os strip malls se consolidam como uma alternativa atraente para varejistas e prestadores de serviço. O desafio, apontam especialistas, está em investir em facilidade de acesso, estacionamento e integração digital para manter a competitividade.

Para varejistas, o modelo abre espaço tanto para marcas consolidadas, que buscam pontos de contato mais próximos do consumidor, quanto para pequenos empreendedores, que encontram nos centros uma alternativa mais profissionalizada e estruturada do que o comércio de rua.

“O varejo de proximidade não é tendência passageira, é uma mudança estrutural no comportamento do consumidor”, resume Marinho.