O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reuniu na última quarta-feira (1/2) para definir a taxa básica de juros, a Selic. A decisão foi por manter a taxa em 13,75% ao ano, o que já era esperado pelos analistas financeiros. Foi a primeira reunião do Copom no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A taxa continua no maior nível desde janeiro de 2017, e foi a quarta vez seguida em que o BC a manteve sem alterações, seguindo no mesmo nível desde agosto de 2022. Anteriormente, o Copom tinha elevado a Selic por 12 vezes consecutivas.
Acompanhar a taxa de juros é importante para os empreendedores, já que a Selic é o parâmetro de juros que os bancos comerciais usam ao oferecer crédito. “Por exemplo, o empresário vê uma possibilidade de expansão do negócio, e não tem dinheiro para investir. Então, vai ao banco pedir dinheiro. A taxa cobrada pelo banco depende da Selic: quanto mais alta, maior será o juro”, diz André Sacconato, assessor econômico da FecomercioSP.
Por outro lado, a taxa Selic também afeta o crédito direto ao consumidor, o que causa uma diminuição no consumo, diz Sacconato. “Em vez de comprar, eles preferem fazer uma aplicação financeira — que também está relacionada à Selic — e ganhar mais dinheiro desta forma.”
Como fica o crédito com a Selic em 13,75%
Para Sacconato, o momento é de cautela para os empreendedores que precisam de capital. “Dificilmente ele irá conseguir crédito mais barato, como antes [há alguns anos]. É uma situação de restrição de crédito na economia”, afirma. Então, é necessário saber analisar bem a situação. “Tem que ser uma oportunidade muito boa no mercado, com ele tendo a certeza de que o rendimento será maior do que a taxa que ele irá apagar”, afirma. Se não for o caso, a recomendação do especialista é esperar um pouco ou tentar utilizar dinheiro próprio.
Para casos em que o empreendedor decida procurar por crédito, a educadora financeira Luciana Ikeda recomenda alguns cuidados. Buscar o recurso para projetos que não necessariamente vão trazer retorno financeiro à empresa, como trocar o piso do imóvel, pode não ser uma opção vantajosa. “Mas, se for para pagar dívidas de curto prazo, como utilização do cheque especial ou antecipação de recebíveis, pode ser necessário pedir empréstimo”, diz Ikedo. Ela recomenda que empreendedores consultem diversas instituições financeiras para encontrar a melhor opção de crédito.
Ikedo também lembra que a Selic está em um momento de pico. “Então, pode ser mais interessante contratar a modalidade do pós-fixado porque, quando a Selic diminuir, também diminuirá o juro contratado”, afirma.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios