Atuação das áreas fiscais ainda é reativa e foca apenas no cumprimento de obrigações regulatórias diz levantamento da da Live University/Confeb
A gestão fiscal de negócios no Brasil enfrenta um cenário de transformação, marcado pela transição para um novo modelo tributário e pela necessidade de modernização tecnológica. Diante desse cenário, um dos maiores desafios das empresas, de todos os portes, é antecipar dificuldades e problemas com relação ao ambiente tributário.
A primeira edição do Tax Performance Index (TPI), levantamento realizado pela Live University/Confeb, aponta que 9% das organizações conseguem antecipar problemas tributários antes que eles causem impactos diretos na operação. Realizado em julho, o levantamento considerou dados de 150 empresas, sendo 13% com faturamento anual até R$ 50 milhões e 18% que faturam por ano entre R$ 50 milhões e R$ 300 milhões.
Um dos achados do estudo é que a maioria das áreas fiscais ainda atua de forma reativa, focada no cumprimento de obrigações básicas. O principal indicador de desempenho das áreas tributárias continua sendo o cumprimento das obrigações fiscais corretamente e dentro do prazo, citado por 74% das empresas. A recuperação de créditos foi a segunda mais citada (51%), seguida de tempo de fechamento (47%), contencioso tributário (43%) e benefícios fiscais (39%).
Para Alex Leite, diretor corporativo da Live University/Confeb, a implementação da reforma tributária exigirá uma mudança de postura imediata por parte das organizações. “Implementar a reforma tributária significa olhar para quatro frentes de forma simultânea: orçamento, fluxo de caixa, vendas e compras. Se uma empresa ainda não está trabalhando esses quatro pilares, existe um gap importante na implementação”, diz Leite.
Investimento em tecnologia será decisivo
Um dos principais obstáculos apontados pelas empresas é a deficiência na atualização de ferramentas digitais para gestão. O levantamento indica que 62% das empresas ainda monitoram seus indicadores de desempenho em planilhas, enquanto 20% utilizam padrões de mercado para avaliar sua performance.
O caminho para a eficiência também esbarra em barreiras internas. A falta de tempo foi apontada por 51% das empresas ouvidas como o principal desafio para elevar o desempenho, seguida pela necessidade de capacitação das equipes (46%) e pela complexidade operacional (42%). Para se adequarem à reforma tributária, as empresas estimam investir, em média, R$ 1,1 milhão até o fim de 2026.
Com relação ao uso da inteligência artificial (IA), o estudo revela que seu papel tímido na organização tributária. Entre as empresas analisadas, 54% operam sem qualquer aplicação de IA, 23% possuem entre uma e cinco aplicações em funcionamento, e 18% apresentam projetos-piloto em andamento.
Diante desse cenário, a prioridade para os próximos 12 meses, citada por 63% dos entrevistados no estudo, é a automação fiscal. O objetivo é reduzir a carga de tarefas manuais para permitir que as equipes foquem em atividades estratégicas, como a recuperação de créditos e a análise de benefícios fiscais. Leite observa que a automação é o alicerce para essa transição.
“Esse é o caminho para reduzir o peso das obrigações operacionais, entregar tudo corretamente e liberar a equipe para atuar na recuperação de créditos, no relacionamento com outras áreas e nas decisões do negócio”, afirma.
Ciente dessas deficiências, o mercado se movimenta para preencher as lacunas de conhecimento, ressalta Leite. Um exemplo é o desenvolvimento de programas avançados de formação, que integram áreas jurídica, financeira e tecnológica, com o objetivo de preparar os profissionais para além da legislação pura. No entanto, o foco agora deve ser na execução.
“O objetivo é fazer com que cumprir a obrigação no prazo deixe de ser o principal indicador”, ressalta Leite, reforçando que a eficiência tributária será um diferencial competitivo crucial nos próximos anos.