Com lojas com operação 24 horas dentro de condomínios, a Mini Pet Store faturou R$ 500 mil no passado
A ideia de negócio que deu origem à Mini Pet Store nasceu de uma correria comum a quem tem animal de estimação. Não foram poucas as ocasiões em que Fabrini Moscattini, tutor de dois huskies, chegou em casa depois de um dia longo de trabalho e descobriu que faltava ração, quando o comércio mais próximo já estava fechado. A frustração se repetiu vezes suficientes para que ele enxergasse ali não apenas um problema pessoal, mas uma oportunidade de negócio. Em outubro de 2024, inaugurou em Valinhos (SP) seu próprio primeiro minimercado autônomo para pets. Menos de dois anos depois, a Mini Pet Store fatura R$ 500 mil no ano e opera em 13 estados.
Fabrini trabalhou a vida inteira com vendas e sempre acreditou na própria veia empreendedora. Na época da pandemia, ele atuava no segmento de turismo e, com o impacto do isolamento social, decidiu aproveitar o momento para mudar de carreira. Morando dentro de um condomínio, ele percebeu a oportunidade de instalar mercados de autosserviço no formato 24 horas, modelo que cresceu durante a crise sanitária.
Com uma marca própria, entre 2021 e 2023 Fabrini chegou a ter 15 lojas. “Foi um sucesso, a gente cresceu bastante dentro de condomínios. Mas, ao mesmo tempo, o segmento de minimercado começou a ter vários concorrentes e não quis continuar disputando. Foi quando comecei a pensar em outras coisas e tive a ideia do mercado pet”, diz Fabrini.
Antes de avançar com a ideia, o empreendedor fez pesquisas de mercado para entender se a demanda era real. De acordo com um levantamento da uCondo, empresa especializada em gestão condominial, 24% dos condomínios brasileiros tem moradores com animais de estimação. Atualmente, de acordo com dados da Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação) e do IBGE, há, estatisticamente, 1,8 animal de estimação por residência no Brasil.
Também de acordo com a Abempet, o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024. O principal motor das movimentações é a venda de alimentos industrializados para animais de estimação, representando o equivalente a 54,1% do total do setor.
Em um segmento já movimentado, Fabrini decidiu unir os dados que observou com sua experiência em operações autônomas. Para isso, ele desenhou um modelo mais enxuto na comparação com as lojas tradicionais do setor, com um portfólio de até 150 SKUs por loja, funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, sem funcionários e instalado dentro de condomínios.
A primeira loja foi construída com um investimento de cerca de R$ 20 mil, de capital próprio. A unidade foi inaugurada em outubro de 2024, em um condomínio residencial na cidade de Valinhos, interior de São Paulo. “A gente acreditava muito que ia atender uma demanda que ninguém estava atendendo”, diz o fundador. Para se concentrar no novo negócio, Fabrini optou por vender os minimercados autônomos que operava anteriormente.
A decisão de franquear o negócio veio dois meses depois, em dezembro de 2024, quando outros condomínios começaram a procurar a empresa. De acordo com Fabrini, a escolha pelo modelo de franquias foi motivada pela vontade de acelerar a expansão e garantir a padronização das operações.
Para atrair candidatos a franqueados, o empreendedor investiu em tráfego pago na internet. A estratégia atraiu um perfil variado de investidores, incluindo donos de pet shops, médicos veterinários que buscavam uma fonte de renda sem precisar abandonar a atividade principal e empreendedores em busca de novos investimentos. Hoje, cerca de 60% dos franqueados já operam mais de uma unidade.
Atualmente, a rede conta com 80 unidades em operação e outras 20 em implantação, distribuídas por 13 estados. A meta é alcançar 200 lojas até o final de 2026, entre comercializadas e operando. Hoje, cerca de 60% dos franqueados já operam mais de uma unidade. O principal foco para a expansão neste ano é a cidade de São Paulo
Para se tornar franqueado, o investimento parte de R$ 47 mil, com prazo de retorno estimado entre 12 e 15 meses. O modelo opera com um mix de produtos personalizado para cada condomínio. Segundo Fabrini, antes de instalar uma unidade, a equipe faz um mapeamento para identificar quais tipos de pets os moradores têm no condomínio e quais produtos consomem para, assim, montar o sortimento. A rede opera em condomínios com pelo menos 150 unidades habitacionais, sejam verticais ou horizontais.
Fabrini aposta que o componente emocional do setor pet sustente o crescimento do negócio. “Pet não é um consumo frio. Existe vínculo, existe recorrência e existe uma disposição real das famílias para cuidar bem dos animais. Isso torna o negócio mais resiliente e cria uma conexão muito forte com o cliente final”, diz.
Após faturar R$ 500 mil em 2025, a empresa projeta alcançar R$ 1,2 milhão em 2026.