Novos hábitos de consumo influenciam expansão das franquias de beleza

O jeito como o brasileiro consome cuidado pessoal mudou, e isso já aparece nos números do franchising. Segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho do Franchising, da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar faturou R$ 19,24 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando atrás apenas do setor de Alimentação entre os que mais cresceram no país. O segmento já reúne mais de 600 marcas e 36.495 operações em atividade, gerando cerca de 300 mil empregos diretos.

Esse avanço reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que passou a priorizar cuidados pessoais e prevenção com mais frequência, associada à maior flexibilidade de rotina e à busca por qualidade de vida. Procedimentos que antes eram tratados como pontuais, hoje entram no calendário de manutenção de quem já incorporou a estética à própria rotina de autocuidado.

“O consumidor mudou a forma de enxergar a estética. Ela deixou de ser um evento isolado, ligado a uma ocasião específica, e passou a fazer parte da rotina, como manutenção mesmo. Isso muda completamente o tipo de demanda que a clínica precisa estar preparada para atender”, explica Alan Macário, cirurgião-dentista e diretor técnico da Botopremium, rede de franquias especializada em estética e harmonização facial, sediada em São José do Rio Preto (SP), que iniciou sua expansão via franchising em agosto de 2020.

Esse movimento de recorrência também influencia diretamente a forma como as redes de franquia se estruturam para crescer. A Botopremium, por exemplo, aposta em um modelo enxuto, com unidades a partir de 35 m² e operação simplificada, o que permite acompanhar esse ritmo de consumo sem depender de grandes estruturas físicas. O investimento para instalação parte de R$ 240 mil, com taxa de franquia de R$ 49 mil e capital de giro estimado em R$ 40 mil. A rede divulga faturamento médio mensal de até R$ 200 mil por unidade, com prazo de retorno previsto a partir de 10 meses.

“A gente vê isso na prática: não é preciso ter uma clínica gigante para atender bem essa nova demanda. O que muda o jogo é a capacidade de atender com agilidade e recorrência, sem perder qualidade no procedimento”, complementa Manoel Ferreira, sócio-diretor de Operações da Botopremium.

Outro ponto que chama atenção no modelo é a ausência de teto de crescimento fixo por unidade. Os royalties da rede são de 6% sobre o faturamento ou dois salários mínimos, prevalecendo o maior valor, com isenção de taxa de publicidade.

“Preferimos manter o modelo enxuto porque ele já funciona. Se uma unidade consegue faturar R$ 200 mil numa sala só, não existe necessidade de expandir o espaço, só faz sentido crescer se o franqueado quiser ir além e estiver disposto a buscar isso”, diz Rodrigo D’Paula, CEO da Botopremium.

Com o setor de Saúde, Beleza e Bem-Estar consolidado como uma das apostas mais fortes do franchising brasileiro em 2026, a expectativa entre quem acompanha o mercado é que essa mudança de hábito de consumo continue impulsionando tanto a abertura de novas unidades quanto a chegada de redes desse segmento a cidades fora dos grandes centros urbanos.

Fonte: PEGN