Setor de franquias fatura R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026, diz ABF

Crescimento no segundo trimestre foi de 9,3%, inferior aos três primeiros meses do ano. Segundo a entidade, inflação e restrição de crédito pressionaram o mercado

O setor de franquias brasileiro cresceu 9,7% no primeiro semestre de 2026, atingindo um faturamento de R$ 149 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (3/9) pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), por meio da Pesquisa Trimestral de Desempenho. No segundo trimestre do ano (que compreende os meses de abril a junho), o setor cresceu 9,3%, registrando um faturamento de R$ 76,3 bilhões. Os dados são nominais.

Mesmo com a Páscoa em abril, que costuma ser um período positivo para negócios de alimentação, o ritmo de alta foi menor do que no primeiro trimestre, que teve incremento de 10,1%. De acordo com a análise da ABF, o resultado foi obtido em um cenário adverso para o varejo, com “juros elevados, inflação ainda pressionada, restrição de crédito, endividamento das famílias e com a atividade econômica geral em ritmo menor”.

Entre os fatores que puxaram o crescimento no segundo trimestre estão o avanço das lavanderias self-service, a busca pelo bem-estar e até a famigerada ‘guerra do delivery’, que proliferou cupons de desconto e outros incentivos para compra.

Os segmentos que se destacaram no segundo trimestre de 2026 foram:

  • Limpeza e Conservação (+17,6%): resultado atribuído ao avanço das lavanderias express e de autosserviço, e ao avanço dos serviços de limpeza profissional, sobretudo em residências.
  • Saúde, Beleza e Bem-Estar (+15,2%): a entidade credita o desempenho à expansão dos cuidados pessoais, atividades físicas e serviços odontológicos, o que reflete o avanço do conceito de wellness. Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e serviços de cuidadores também ganharam espaço com o envelhecimento da população.
  • Alimentação – Food Service (+13,7%): o desenvolvimento e a competição do mercado de delivery atrelado a uma busca por refeições mais práticas são os principais motores do crescimento. A entidade destaca também o avanço de sorveterias e restaurantes de serviço rápido.

“Em um contexto de maior racionalidade nos gastos, continuam crescendo os negócios ligados a conveniência, bem-estar e necessidades recorrentes. O consumidor pode adiar a compra de bens duráveis, mas continua frequentando farmácias, academias, clínicas, lavanderias, minimercados, cafeterias e serviços de alimentação”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF.

Veja o crescimento em cada segmento por ordem alfabética:

Desempenho do franchising – Segundo trimestre de 2026

SEGMENTO2025 (R$ bi)2026 (R$ bi)% VAR 2025-2026% VAR OPERAÇÕES
Alimentação – Comercialização e Distribuição7,87,5-3,8%2,2%
Alimentação – Food Service10,61213,7%2,8%
Casa e Construção4,855,4%-1,3%
Comunicação, Informática e Eletrônicos22,15,3%-3,4%
Entretenimento e Lazer0,80,912,1%4,2%
Hotelaria e Turismo3,73,96,8%1,1%
Limpeza e Conservação0,60,717,6%8,0%
Moda7,37,97,9%5,1%
Saúde, Beleza e Bem Estar18,321,115,2%1,4%
Serviços Automotivos2,42,66,4%1,5%
Serviços e Outros Negócios7,98,57,0%6,1%
Serviços Educacionais3,74,211,8%5,5%
TOTAL69,976,39,1%3,3%

Fonte: Pesquisa Trimestral de Desempenho / ABF

Outros destaques da pesquisa

  • O setor de franquias encerrou o segundo trimestre com 207,2 mil operações em funcionamento, o que representa 6.652 franquias a mais em relação ao mesmo período em 2025. A ABF não divulgou o número de encerramentos ou repasses.
  • As unidades franqueadas somavam 1,8 milhão de empregos diretos no segundo trimestre. Um acréscimo de 58.566 em relação ao período anterior.

Projeções para 2026

Além dos desafios já mencionados, a ABF adiciona a transição da Reforma Tributária à lista de obstáculos para o cumprimento da meta do setor em 2026 – que permanece positiva, entre 8% a 10% de crescimento no faturamento e expansão de 2% a 4% no número de redes e de 1% a 3% nas operações.

A aposta é que o consumo doméstico, o crescimento dos serviços de conveniência, a digitalização e expansão do empreendedorismo continuem a impulsionar os resultados das redes.

“O franchising brasileiro cresce porque acompanha as transformações da sociedade. Quanto mais as pessoas buscam praticidade, conveniência, qualidade e confiança, mais relevante o setor se torna. Hoje ele faz parte do cotidiano dos brasileiros e essa é a principal razão de sua resiliência e capacidade de expansão”, conclui Leite.

Fonte: PEGN