Da máquina de costura às feiras de São Paulo: empreendedora transformou bolsas artesanais em negócio

O que era um hobby virou uma marca que vem conquistando cada vez mais clientes

Valéria Xavier é a dona da LummynBag
Valéria Xavier é a dona da LummynBag — Foto: Divulgação

Valéria Xavier, 58 anos, encontrou nas bolsas artesanais uma nova forma de empreender – e também uma maneira de transformar referências da própria história em produtos únicos. Em São Paulo (SP), ela criou a LummynBag, marca de bolsas e ecobags que nasceu de maneira despretensiosa, e hoje está presente em feiras de artesanato, em um pequeno box comercial e nas redes sociais.

Essa é a primeira experiência de Xavier à frente de um negócio. Antes de atuar com bolsas, ela trabalhou por cerca de dez anos como trancista em um salão no centro da capital paulista. Autodidata, aprendeu a trançar os cabelos das próprias irmãs (são nove irmãos, sendo seis mulheres) e transformou a habilidade em profissão.

Em 2019, já fora do salão, passou a atender clientes em domicílio como freelancer. Foi nesse período que começou a experimentar o artesanato. Primeiro, vieram os panos de prato, feitos depois que ganhou uma máquina de costura.

A pandemia abriu caminho para uma nova atividade, quando passou a produzir ecobags. As primeiras peças foram mostradas pelas irmãs a amigas, além de chegarem às mãos das clientes que atendia como trancista (quando a covid passou a permitir). Os comentários positivos fizeram com que percebesse que havia espaço para transformar o hobby em fonte de renda. “Muitas pessoas me falavam que eu deveria fazer para vender”, lembra.

A mudança de estratégia veio quando Valéria Xavier percebeu que as bolsas ofereciam um retorno financeiro interessante, levando em conta o tempo necessário para produzir cada peça. A ecobag simples ganhou novos tecidos, bolsos, forros e combinações. Atualmente, ela trabalha com materiais como veludo, camurça, tecidos impermeáveis e tecidos para tapeçaria, mais resistentes e encorpados.

O processo de criação continua essencialmente intuitivo. “Tudo tem início pelo tecido: vou experimentando, e se percebo que determinada combinação funciona, acrescento um bolso ou misturo uma estampa com um tecido liso. Também busco referências no cotidiano, observando vitrines nos shoppings e acessórios usados pelas pessoas na rua”, explica.

Ela nunca fez um curso formal de costura. Para aprender, recorreu principalmente à prática, ao Google e ao YouTube. As primeiras bolsas demoraram entre dois e três meses para serem apresentadas a outras pessoas. A insegurança fazia com que a artesã guardasse as criações em casa. Foram as irmãs que a convenceram a divulgar o trabalho.

Valéria Xavier — Foto: Divulgação
Valéria Xavier — Foto: Divulgação

Inserida no mercado

A estreia nas feiras ajudou a virar essa chave. Desde o fim de 2023, Xavier participa de eventos de artesanato, principalmente aos sábados, em locais como a Avenida Paulista e a Praça da República. Também integra o programa Mãos e Mentes Paulistanas, da Prefeitura de São Paulo, que oferece oportunidades para artesãos participarem de eventos sem custo.

Em 2024, veio outro passo importante: a formalização do negócio. Depois de participar do curso “Despertando a Empreendedora”, parceria entre a escola Empreende Aí e Magalu, Valéria Xavier passou a entender melhor questões de gestão e decidiu abrir um MEI e registrar a marca. “Eu fazia por fazer, para vender para a vizinha… Comecei a pensar como empreendedora, como empresária”, afirma.

Hoje, a produção é feita em casa e em um pequeno box alugado, onde também expõe e vende suas peças. Aos sábados, as feiras ocupam a agenda. Ela faz, em média, entre 50 e 60 bolsas por mês, com tíquete entre R$ 60 a R$ 120. O faturamento mensal varia de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. Eventualmente, tem um incremento na receita que vem de encomendas.

Um dos diferenciais da LummynBag está nas estampas de inspiração afro. Xavier conta que sempre foi apaixonada por tecidos, turbantes, acessórios e gravuras ligados à cultura africana. Para ela, incorporar essas referências às bolsas é uma forma de expressar a própria identidade e ancestralidade. “É algo que já faz parte de quem eu sou. Nossa história é muito linda, me senti no direito de pegar um pedacinho dela para mim”, diz.

As peças não são repetidas. A proposta da marca é trabalhar com modelos únicos, combinando tecidos e estampas de maneiras diferentes. “Lummyn” remete à ideia de luz: para a empreendedora, cada pessoa tem uma luz própria, assim como cada bolsa carrega uma combinação particular.

Apesar de já ter conquistado clientes nas feiras, a empreendedora reconhece que ainda precisa avançar em uma área: a comunicação. Produzir é sua especialidade; apresentar e divulgar o produto ainda é um desafio. Uma sobrinha ajuda com o Instagram da marca, que funciona principalmente como vitrine, e ela pretende fazer cursos de marketing para ganhar mais segurança na divulgação.

Para o futuro, o plano é ampliar a visibilidade da LummynBag, participar de mais eventos e aumentar o faturamento. A empreendedora também mira outras oportunidades. Depois de uma viagem à Bahia, percebeu o potencial das feiras colaborativas no estado e passou a considerar a possibilidade de levar a marca para esse tipo de evento.

Enquanto isso, segue experimentando tecidos e transformando cada descoberta em uma nova bolsa. Apaixonada pelo que faz, Valéria Xavier resume o momento do negócio de forma simples: ela quer crescer e fazer com que mais pessoas conheçam a marca que começou com uma máquina de costura, alguns panos de prato e muita vontade de aprender.

Fonte: Revista PEGN