Dados são referentes a 2025. Levantamento mostra que setor cresceu 20% em um ano, impulsionado pela expansão das pequenas empresas, novos hábitos de consumo e avanços na logística
O comércio eletrônico brasileiro alcançou, em 2025, o maior faturamento de sua história. As vendas somaram R$ 295,6 bilhões, alta de 20% em relação ao ano anterior e crescimento de 429% na comparação com 2016, quando o setor movimentou R$ 55,9 bilhões. Os dados fazem parte da Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, estudo elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base em indicadores próprios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). PEGN teve acesso ao levantamento com exclusividade.
Além do avanço nas vendas, o e-commerce ampliou sua participação em relação ao varejo físico. Em dez anos, essa equivalência passou de 1,8% para 6,5%, atingindo o maior patamar da série histórica. Para Guilherme Dietze, presidente do conselho de turismo e assessor econômico da FecomercioSP, o desempenho de 2025 demonstra que o setor ainda tem potencial para crescer.
“Acho que o número de 2025 mostrou que há espaço para um crescimento ainda mais forte. A gente vê uma base muito grande de investimento sendo feita, com empresas criando centros de distribuição e rotas aéreas para chegar cada vez mais longe e de forma rápida”, afirma.
Mudança no consumo e avanço das PMEs
O levantamento mostra que o comércio eletrônico deixou de depender principalmente da venda de eletrônicos e passou a ganhar espaço nas categorias de compra recorrente. Embora os smartphones liderem o faturamento nacional, com R$ 10,3 bilhões, os livros aparecem na segunda posição, com R$ 9,5 bilhões, seguidos pelos complementos alimentares, que movimentaram R$ 6,6 bilhões.
Segundo Dietze, a melhora na experiência de compra e na logística explica parte dessa transformação. “Antes a gente tinha a questão do frete, eram alguns dias úteis. Hoje, em dois cliques, você adiciona ao carrinho ou já compra direto. Essa facilidade na experiência do cliente e na logística tem transformado o varejo”, diz.
Outro destaque é o crescimento das pequenas e médias empresas (PMEs). A participação das empresas optantes pelo Simples Nacional no faturamento do e-commerce passou de 3,6%, em 2016, para 34% em 2025.
São Paulo lidera, mas perde participação relativa
São Paulo segue como o principal polo do comércio eletrônico brasileiro, respondendo por 55,8% das vendas online do país, o equivalente a R$ 165 bilhões. No consumo, entretanto, a participação do estado recuou de 34%, durante a pandemia, para 31,4% em 2025. De acordo com Dietze, o movimento reflete o fortalecimento de outros mercados, especialmente no Nordeste.
“O que acontece é que, depois da pandemia, outros mercados cresceram. A região Nordeste vem crescendo em um ritmo mais forte. Consumidores do Brasil todo estão aproveitando essa dinâmica de logística diferenciada”, pontua.
Enquanto, no cenário nacional, os smartphones lideram as vendas, em São Paulo os livros ocupam a primeira posição, com faturamento de R$ 3,29 bilhões. No ranking por estados, Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 12,9% das vendas, seguido por Santa Catarina (6,2%) e Espírito Santo (5,3%).
Reforma Tributária
A pesquisa também aponta que a Reforma Tributária, aprovada em 2025, deve alterar a dinâmica de arrecadação do setor ao transferir a cobrança do tributo da origem para o destino da mercadoria, ou seja, o local onde está o consumidor. A mudança tende a impactar estados considerados “vendedores líquidos”, como São Paulo e Minas Gerais.
Dietze afirma que o novo modelo pode incentivar investimentos em infraestrutura regional. “O recolhimento no destino pode fazer com que os estados invistam em malha rodoviária e em centros receptores de encomendas para atrair consumidores próximos”, explica.