
Após receber mais de 60 mil visitantes e cerca de 400 marcas expositoras em 2025, a ABF Franchising Expo chega a sua 33ª edição neste ano. Realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), a feira acontece entre os dias 24 e 27 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). O evento é considerado um dos maiores do mundo do setor.
Neste ano, a feira acontece em um momento histórico para o franchising brasileiro. Pela primeira vez, o setor ultrapassou a marca de R$ 300 bilhões em faturamento anual, segundo dados da ABF. De acordo com a entidade, apenas nos primeiros três meses de 2026, foram R$ 72,7 bilhões faturados, um crescimento de 10,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, a receita somou R$ 308,4 bilhões, um avanço de 10,7%.
A edição deste ano tem previsDiante do grande volume de opções e propostas de negócio variadas é importante que o empreendedor se prepare antes de ir à feira. Para ajudar, PEGN conversou com especialistas do setor e reuniu 5 dicas e cuidados para aproveitar o evento e fugir de ciladas. Confira.
1. As pesquisas devem começar antes da feira
O franchising oferece oportunidades em todos os segmentos e modelos de negócios para diferentes portes de investidores. Por isso, em uma feira com centenas de redes expositoras, é importante que o potencial empreendedor chegue ao evento consciente do que busca. Para isso, uma pesquisa antecipada é essencial.
“Recomendo fortemente que a pessoa faça um estudo prévio para chegar à feira com uma missão mais clara de quais setores fazem sentido para sua vida empreendedora. Assim, você já chega preparado para olhar as marcas que fazem sentido e ter conversas mais profundas e de melhor qualidade”, diz Eduardo Santinoni, sócio-diretor na Y Consultoria, consultoria associada da ABF.
Para Adir Ribeiro, CEO e fundador da consultoria Praxis Business, a recomendação é selecionar mais de um segmento que converse com seu perfil e momento de vida, para que seja possível comparar diferentes opções. “Depois, recomendo avaliar marcas que você já conhece ou admira de alguma forma para avaliar de maneira mais aprofundada’, afirma Ribeiro.
O executivo da Praxis também ressalta que saber o que se busca não significa ignorar negócios que chamem atenção. “Aproveite o caminhar na feira para avaliar negócios que você antes não conhecia e converse com os executivos da empresa franqueadora, para poder ter uma avaliação geral”, aponta.
2. Tenha em mente que tamanho não é documento
Grandes estandes ou números expressivos de franqueados não são, necessariamente, fatores determinantes para saber se uma rede é adequada para o seu perfil. Para Thais Kurita, sócia do Novoa Prado Maciel Pinheiro Advogados, escritório especializado em franchising e varejo, saber se uma marca é a ideal para determinado perfil de empreendedor exige a análise de uma combinação de elementos.
Além da disponibilidade de mercado, valor de investimento compatível, aptidão para o negócio e objetivos alinhados com a franqueadora são aspectos essenciais. “Minha principal recomendação para quem visitar a feira é procurar menos por uma ‘franquia perfeita’ e mais por uma combinação entre o modelo de negócio e o seu perfil”, acrescenta Ribeiro.
3. Não tenha medo de perguntar
Para conhecer verdadeiramente o negócio, perguntar é uma das etapas mais importantes de qualquer negociação. Ribeiro ressalta que, além de informações básicas, como faturamento e prazo de retorno, algumas perguntas que não podem ficar de fora para saber se o negócio é adequado para o perfil do investidor são:
“O que se espera de mim como franqueado?”
“Qual é o perfil dos operadores que têm melhor desempenho na rede?”
“Quanto protagonismo será exigido da minha parte?”
Além disso, Kurita recomenda que o candidato pergunte sobre assuntos que estão entre seus principais desafios e inseguranças enquanto empreendedor. Por exemplo, se você não tem experiência em vendas, é importante entender qual é a importância dessa atividade na franquia que deseja adquirir: você será um gestor de pessoas ou um vendedor ativo? Se nunca operou no varejo, uma rede que demanda conhecimento de estoque e compras é adequada para você?
Para a advogada, outra pergunta importante é sobre como a franqueadora costuma gerir problemas com os franqueados da rede. “Se o franqueador não tiver uma resposta concreta e convincente para isso, pode ser que não haja políticas implantadas, como a de crédito, por exemplo, nem práticas de negociação vigentes e tudo seja judicializado. E, em tempos atuais, saber se relacionar com a rede franqueada é uma questão de governança”, diz Kurita.
Outro aspecto que deve ser questionado é o suporte oferecido pela franqueadora. Na hora da venda da franquia, a advogada ressalta que é comum ouvir que será oferecido “suporte total” ao franqueado. Contudo, é necessário entender o que isso significa na prática.
“Se você tiver um problema com a Vigilância Sanitária, o franqueador o representará ou você será responsável por responder legalmente? Faltando mão de obra, quem se responsabilizará pela busca e capacitação de profissionais? Quem fará a divulgação local da sua franquia? Quem captará clientes para sua operação? Quem negociará o contrato de aluguel do seu imóvel? O que é o suporte, afinal?”, aponta Kurita sobre reflexões que devem ser feitas durante a análise de um negócio.
4. Entenda o papel do franqueado
Além de compreender o papel da franqueadora, estar ciente do seu papel enquanto franqueado é indispensável para ter sucesso no negócio. “Uma das crenças que defendo há muitos anos é que uma relação de franquia funciona quando cada parte entende claramente os seus 50% de responsabilidade. A franqueadora não é responsável pelos 100% do sucesso do negócio, assim como o franqueado não está sozinho”, diz Ribeiro, que ressalta a importância de uma divisão equilibrada de responsabilidades, com clareza do papel das partes.
Segundo Ribeiro, enquanto a franqueadora entrega marca, modelo de negócio, know-how, treinamento, suporte e inteligência de rede, o franqueado precisa entrar com capital, dedicação, gestão, liderança e, principalmente, atitude empreendedora. “Quem compra uma franquia não está comprando uma promessa de sucesso, mas sim o direito de operar um modelo que já foi testado”, diz.
Para entender o papel do franqueado no dia a dia da operação, uma dica é conversar não apenas com a franqueado, mas também com atuais e ex-franqueados da rede. As conversas são recomendadas para qualquer modelo de negócio, incluindo microfranquias e operações “autônomas”.
5. Lembre-se que não existe “oportunidade única”
De acordo com os especialistas, o objetivo da feira é realizar os primeiros contatos entre investidores e franqueadores, mas não é o local da venda das franquias. De acordo com Kurita, além de ser importante do ponto de vista estratégico, ter tempo para avaliar o investimento é um direito assegurado por lei.
“Pela lei de franquias, 13.966/19, o franqueado deve receber a Circular de Oferta de Franquia (COF), um documento que descreve o negócio, dez dias antes da assinatura do contrato. Portanto, na feira, o investidor visita a marca e, desejando conhecê-la melhor, inicia o processo de seleção, no qual tirará todas as suas dúvidas sobre o negócio. Será o momento em que o franqueador também avaliará o perfil do franqueado”, diz Kurita.
Santinoni ressalta que a escolha por um investimento deve ser feita com cautela também do ponto de vista emocional. “É importante que seja uma decisão racional, conhecendo bem o negócio e quem está por trás dele, especialmente por se tratar de um investimento de longo prazo”, afirma Santinoni.
Para Kurita, também é fundamental que o candidato fique atento a discursos que acelerem a tomada de decisão. “Não existe uma oportunidade única, que você perderá se não assinar o contrato ali. Desconfie desse discurso, caso ele ocorra”, alerta.