
O Rio de Janeiro (RJ) foi o foco do ecossistema de inovação nesta semana. A capital fluminense recebeu a quarta edição do Web Summit Rio, edição latino-americana de uma das maiores conferências de tecnologia e inovação do mundo. O evento aconteceu entre os dias 8 e 11 de junho, no RioCentro, na Barra da Tijuca. Segundo a organização, a convenção bateu recorde de público, com mais de 40 mil visitantes e 1,5 mil startups.
PEGN acompanhou de perto a conferência, que mais uma vez teve a inteligência artificial no centro dos debates, e traz os principais destaques nesta edição da newsletter.
Além do que rolou no evento, você lê também as novidades da semana, que teve movimentações importantes.
100 Startups to Watch é a newsletter de Pequenas Empresas & Grandes Negócios que leva a você as notícias mais relevantes do ecossistema de inovação.
Web Summit Rio 2026
Na sua quarta edição no Rio de Janeiro, essa foi a primeira vez que o Web Summit aconteceu em junho (de 8 a 11). A escolha das datas proporcionou ao público presente — recorde de mais de 40 mil pessoas, segundo a organização — uma experiência diferente. Dessa vez, o Riocentro teve barracas de comidas típicas de festa junina e, no último dia de evento os visitantes puderam acompanhar a transmissão do primeiro jogo da Copa do Mundo 2026, entre México e África do Sul.
O esporte, inclusive, esteve em alta na conferência, que adicionou uma trilha sobre o tema à sua programação e disponibilizou quadras de futebol e vôlei de praia, e mesas de pingue pongue e pebolim.
A abertura guardou alguns dos melhores momentos do Web Summit. Primeiro, houve uma apresentação do robô humanoide G1, da empresa chinesa Unitree, que dançou acompanhado do Go2W, androide quadrúpede da mesma companhia. Em seguida, a empreendedora brasileira Luana Lopes Lara subiu ao palco para falar sobre a trajetória da Kalshi. A plataforma, da qual é cofundadora, permite que usuários negociem contratos baseados em eventos do mundo real — de eleições a eventos climáticos.
No painel, Lara disse que quer trazer a tecnologia para o Brasil, mas vai trabalhar junto ao governo para viabilizar a operação de forma regulada.
Veja a seguir os principais destaques da edição deste ano. A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.
Brasil como referência. Em coletiva de imprensa, o irlandês Paddy Cosgrave, cofundador e CEO do Web Summit, defendeu o Pix e afirmou que o Brasil pode revolucionar o setor financeiro por causa do sistema de pagamentos e do quanto as fintechs conseguem construir em cima dele. A ferramenta tem sido alvo do presidente norte-americano Donald Trump.
“É incrível o que o Pix alcançou em um espaço de tempo incrivelmente curto. Quando falo com pessoas na Europa sobre o Pix, elas não fazem ideia do que seja, mas quando você mostra os números, a reação é de surpresa, e perguntam coisas como ‘o que isso significa para os monopólios que atualmente cobram taxas absurdas de todos nós?’”, comentou Cosgrave.
Ele também revelou planos de levar o Web Summit à China e citou Hong Kong, Guangzhou, Hangzhou e Shenzhen como possibilidades. Além do Rio de Janeiro, a conferência tem edições em Lisboa (Portugal), Vancouver (Canadá) e Doha (Catar).
Inteligência artificial. A crescente popularização da inteligência artificial generativa tem aumentado a pressão para que empresas adotem a tecnologia, mas investir sem uma estratégia clara pode ser tão arriscado quanto ficar para trás. Durante um dos painéis, Nelson Leoni, CEO da WideLabs, e Márcio Aguiar, diretor de vendas enterprise da Nvidia para a América Latina, defenderam que a adoção de IA deve partir dos desafios concretos do negócio e de métricas de retorno, evitando projetos de alto custo e baixo impacto. Segundo Aguiar, a tecnologia ainda está em estágio inicial e não se trata de quem adota primeiro, mas de entender as necessidades da empresa.
Leoni também destacou a importância da soberania dos dados e da definição de uma estratégia para o uso das informações corporativas, questionando onde os dados serão processados e alertando para riscos relacionados ao uso de ferramentas externas sem o devido controle. Segundo ele, as empresas precisam ter mais clareza sobre as consequências do uso da IA e adotar a tecnologia de forma estratégica.
Expansão. O projeto Rio AI City deu mais um passo durante a abertura do Web Summit Rio. A assinatura de um memorando de entendimento entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Elea Data Centers garantiu um aporte inicial de US$ 550 milhões para o hub de data centers que será instalado próximo ao Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. A Elea, adquirida pela gestora americana I Square Capital, faz parte de um plano de investimentos de US$ 10 bilhões no Brasil. O complexo terá capacidade energética inicial de 1,5 GW, com previsão de superar 3 GW até 2032, e já tem um data center em operação.
Redes sociais. A programação contou com nomes conhecidos do grande público, como a atleta olímpica Rebeca Andrade, a influenciadora digital Jade Picon, o ator Lázaro Ramos e a atriz Deborah Secco, entre outros.
Durante o painel de tema “O feed perfeito está morto”, Fábio Porchat, Juliette e Rodrigo Moran, líder global de Criação da Meta, discutiram como a disputa pela atenção nas redes sociais tem transformado a produção de conteúdo. Porchat destacou que a concorrência por atenção é muito maior do que quando o Porta dos Fundos Surgiu, em 2012, o que acelerou a fragmentação dos conteúdos e reduziu o tempo de retenção do público.
Juliette defendeu que a autenticidade, a coerência e a conexão com a própria trajetória são mais importantes do que uma estética refinada, afirmando que campanhas publicitárias têm melhores resultados quando dialogam com histórias reais e fazem sentido para o público que acompanha o criador de conteúdo.
PITCH. A Dalton Lab foi a vencedora do PITCH, competição de startups do Web Summit Rio 2026. Fundada há cerca de um ano em São Paulo, a startup ajuda empresas a implementar agentes de inteligência artificial em processos internos e a monitorar o desempenho dessas ferramentas por meio de uma plataforma própria. Atualmente, a empresa atende mais de 20 clientes em quatro continentes, com foco em médias e grandes companhias, além de pilotos com entidades governamentais.
A startup competiu com as brasileiras Wedy e OncoLife Care e usou IA para analisar pitches vencedores anteriores e estruturar sua apresentação aos jurados. Com uma equipe de 12 pessoas, afirma operar com produtividade equivalente à de um time de 60 pessoas graças ao uso intensivo de IA. Hoje em modelo bootstrap, a Dalton Lab espera atingir o breakeven nos próximos meses e busca parceiros estratégicos e investidores para ampliar sua atuação no mercado.
Ecossistema carioca. A rede de investidores-anjo BR Angels anunciou durante o Web Summit Rio a abertura de um escritório próprio no Rio de Janeiro até o fim de 2026, com foco na aproximação com startups, grandes empresas e investidores, especialmente nos setores de inteligência artificial, energia, climate techs, fintechs e infraestrutura. A organização reúne mais de 400 executivos e atua por meio de um modelo de smart money, combinando investimentos, mentorias, networking e apoio estratégico para startups em estágio inicial. Segundo a rede, mais de 7 mil startups já foram avaliadas, mais de 35 receberam investimento e o portfólio soma valuation superior a R$ 2 bilhões. A operação no Rio será liderada por Felipe Gomes e integra um movimento de expansão que já incluiu a abertura de uma operação em Recife e uma frente em Portugal para conectar startups brasileiras a investidores europeus.
Aceleração. A NewHack anunciou durante o Web Summit Rio o lançamento da AI House Brasil, iniciativa que pretende acelerar o desenvolvimento de startups de inteligência artificial e posicionar o país como referência na criação de negócios baseados na tecnologia. Sediada na Serena Cafeteria, próxima ao Parque Ibirapuera, em São Paulo, a AI House oferecerá um programa de incubação para até 15 startups por trimestre, com mentorias, acesso a créditos de infraestrutura tecnológica e conexões com investidores. Inspirado em comunidades e residências empreendedoras do Vale do Silício, o projeto também pode gerar investimentos em algumas das empresas selecionadas por meio do fundo Entrypoint, da NewHack, que já possui cinco startups no portfólio.
Aquisição. A meuResíduo, startup especializada em gestão de resíduos, sustentabilidade e compliance ambiental, anunciou a aquisição da Flowy, plataforma norte-americana voltada à coleta, consolidação e gestão de dados de sustentabilidade para o agronegócio e operações globais de Environment, Health & Safety (EHS). A operação marca uma nova fase da estratégia de internacionalização da companhia, que passa a atuar como uma plataforma com capacidade global para atender empresas que precisam gerenciar indicadores ambientais, ESG, resíduos, conformidade regulatória e dados de sustentabilidade em diferentes mercados. Com usuários em mais de 45 países, a Flowy amplia a presença internacional da meuResíduo, que já conta com mais de 4,4 mil usuários, atua em todo o Brasil e mantém operações em sete países da América Latina. Os valores da transação não foram divulgados.
Agentes. A Conta Simples apresentou no Web Summit Rio o “Faça Seu Agente”, recurso que permite a empresas criarem seus próprios agentes de IA, sem necessidade de código, para executar tarefas financeiras dentro dos limites e políticas definidas por cada organização. Segundo a fintech, a novidade faz parte da construção de um modelo de banco agêntico B2B, no qual agentes de IA passam a operar processos financeiros em vez de apenas disponibilizar informações em extratos, dashboards e planilhas. Atualmente, a fintech soma mais de 35 mil clientes ativos, mais de 2 milhões de cartões criados e cerca de R$ 80 bilhões em volume transacionado desde sua fundação.
União. A ABStartups lançou o Conselho Nacional de Associações de Startups (CNAS), iniciativa que reúne entidades de diferentes regiões do país para fortalecer a representatividade do setor e promover uma atuação conjunta em pautas estratégicas para inovação e empreendedorismo. A estrutura inicial é conduzida pela ABStartups, pela Associação Carioca de Startups (ACS) e pela Associação Gaúcha de Startups, responsáveis pela implementação da governança e adesão de novas entidades. Entre os objetivos do CNAS estão fortalecer a representatividade das startups brasileiras, ampliar o diálogo com governos e instituições de fomento, estimular a colaboração entre ecossistemas regionais, compartilhar inteligência sobre o setor e apoiar iniciativas voltadas ao crescimento sustentável da inovação.
IA. A Claro anunciou o lançamento da oferta de GPU as a Service, voltada para empresas e startups que desejam utilizar ou desenvolver modelos de inteligência artificial. A solução permite contratar apenas a fração necessária da capacidade de processamento, democratizando o acesso a GPUs de alta performance, com faturamento em reais, previsibilidade financeira e possibilidade de escalar o uso conforme a demanda.
Aportes
Factorial. A plataforma de operações de workforce com IA anunciou a conclusão de uma Série D de € 150 milhões (cerca de R$ 899 milhões), atingindo um valuation de € 2,5 bilhões (cerca de R$ 14,9 bilhões). A rodada foi liderada pela General Catalyst, com a participação da Atomico e Four Rivers. Fundada em 2016 em Barcelona, na Espanha, a empresa tem operação autônoma no Brasil desde 2024. De acordo com a companhia, o aporte vai impactar o mercado brasileiro ao viabilizar contratações nas áreas de vendas e customer success, além de acelerar o desenvolvimento de funcionalidades de IA para a realidade local, com adaptações que vão da conformidade com a legislação trabalhista à automação dos fluxos operacionais mais críticos para o RH brasileiro.
Inspira. A legaltech captou R$ 15 milhões em uma rodada liderada pela Cloud9 Capital, com participação da Vivo Ventures. Com o aporte, a Inspira quer aprimorar seu produto – que receberá novas integrações com outras ferramentas já presentes na rotina dos advogados, além de passar a resolver novas tarefas que otimizam o dia a dia jurídico – e expandir sua base de clientes para profissionais de todos os portes e estruturas. Atualmente, a startup atende mais de 300 clientes, somando mais de 14 mil usuários.
Codejobs. A HR Tech especializada em recrutamento para o setor de tecnologia levantou US$ 40 milhões (cerca de R$ 206,5 milhões) com a Kleiner Perkins, fundo de venture capital que já apostou nos estágios iniciais de empresas como Google, Amazon e Spotify. Com o aporte, a empresa quer acelerar a expansão internacional e fortalecer suas soluções baseadas em inteligência artificial. Para isso, startup planeja investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e contratar novos executivos.
Welbe Care. A healthtech mexicana dedicada a soluções para conectar digitalmente integrantes e cadeias da área de saúde recebeu um investimento de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 7,7 milhões) do Cartão de TODOS, empresa brasileira de cartões de desconto. O aporte será destinado à construção da operação da Welbe Brasil e à consolidação da plataforma no mercado nacional. Juntas, as empresas planejam consolidar no Brasil um modelo de jornadas continuadas e integrais de saúde e de open health. Segundo o Grupo TODOS, a parceria representa um dos primeiros movimentos de uma nova fase da companhia, que a partir de 2027 terá Tales Vilar, filho do fundador, na presidência do negócio.
M&As
HelenaCRM. A plataforma de CRM foi adquirida pelo Asaas, plataforma financeira e operacional para empresas, em um acordo de R$ 150 milhões. Esta é a segunda aquisição da empresa em 2026, sendo o maior cheque já assinado pela companhia em M&A. Segundo o Asaas, o movimento fortalece a estratégia de construir um ecossistema AI-native completo para pequenas e médias empresas (PMEs). A transação ocorre em um momento de crescimento acelerado da companhia, que teve alta de 234% no lucro líquido em 2025 e trabalha para alcançar a meta de R$ 1 bilhão em receita em 2026.
Salú. A Senior Sistemas, empresa de tecnologia para gestão, assinou o maior acordo de M&A de sua história para adquirir a Salú, HRtech especializada em saúde ocupacional, por R$ 318,7 milhões. A conclusão da operação ainda está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). De acordo com a Senior Sistemas, o objetivo da aquisição é amplicar sua atuação com foco em gestão de pessoas, área em que administra mais de 11 milhões de vidas e processa 7 milhões de folhas de pagamento. Com a Salú, a Senior adicionará mais 460 mil vidas ativas sob gestão.
Novo fundo
Em parceria com a Monashees, gestora de capital de risco, o Google anunciou um fundo para investir e colaborar com startups focadas em IA e deep tech. Com o Gama Fund, as empresas vão selecionar cinco startups para receber até US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,3 milhões). O processo de seleção será colaborativo entre o Google e a Monashees, ambas as empresas abrirão um processo de inscrição e realizarão análises contínuas de mercado durante eventos estratégicos do setor. De acordo com o Google, são elegíveis apenas startups de elite, AI-First, que tenham empreendedores brasileiros operando no Brasil ou no exterior, e que utilizem ou planejem integrar as soluções de IA do Google em suas operações principais.
Oportunidades
Beleza. A Natura está com inscrições abertas para um desafio de inovação que visa acelerar startups de beleza na América Latina. A iniciativa integra a edição de 2026 do programa Natura Innovation Challenge, plataforma de aceleração em formato equity-free da empresa, ou seja, sem aporte financeiro. Podem participar startups do setor de beleza e cuidados pessoais que tenham soluções prontas para serem escaladas. Os negócios selecionados irão participar de uma jornada de mentorias, testes e provas de conceitos, para validar suas soluções em contextos reais. A inscrição pode ser feita na página do programa até o dia 28 de junho.
Tecnologia. A Vero, empresa de telecomunicações, abriu as inscrições para a edição 2026 do Aurora, seu programa de inovação aberta que conecta startups, empresas de tecnologia e especialistas. O novo ciclo busca startups com soluções voltadas a desafios estratégicos da companhia, que incluem: automação inteligente da jornada de cobrança; monitoramento inteligente na infraestrutura de backbone; análise preditiva para prevenção de eventos recorrentes na rede externa; automação inteligente da gestão e lançamento de documentos fiscais; e automação e rastreabilidade inteligente para gestão de inventário de materiais em campo. O objetivo é captar iniciativas capazes de gerar eficiência operacional e melhoria da experiência do cliente. As inscrições vão até o dia 19 de junho no site do programa.
Para elas. O AstELLAS, programa da Astella voltado a fundadoras de startups em estágio inicial no Brasil, está com inscrições abertas para sua quarta edição. Gratuito, o programa apoiará 30 fundadoras brasileiras ao longo de 12 semanas em desafios frequentes das primeiras etapas da jornada empreendedora, como produto, vendas, pessoas e pitch. As participantes terão acesso a mentorias semanais. As inscrições vão até 3 de julho no site do programa e a primeira sessão de mentoria acontece em 23 de julho. Para participar, é necessário ser fundadora ou cofundadora de uma empresa de tecnologia, ter produto no ar e dedicação integral ao negócio.
Initial plugin text