Item viralizou nas redes sociais como inovação em restaurantes de outros países. Especialista comenta pontos fortes e cuidados que empreendedores devem tomar ao apostar no prato
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Uma tendência internacional tem ganhado espaço no mercado brasileiro: são os Push Pop Sushis, que viraram febre nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, caracterizados pela praticidade do takeaway — comidas adquiridas diretamente no estabelecimento, fáceis e práticas para comer em qualquer lugar.
Os famosos sushis no tubo viralizaram nas redes sociais, principalmente no TikTok. Os vídeos mostram pessoas comendo, experimentando e avaliando o produto, causando uma grande comoção e procura. Para comer os Push Pop Suhis, basta usar o canudo, que contém molho shoyu, para empurrar os alimentos para cima e alcançar a boca.
Não se sabe ao certo a origem dos Push Pop Sushis — apesar de o restaurante nova iorquino Suka Sushi ter sido um dos primeiros a viralizar com o produto. Desde o início de 2026, diversos influenciadores visitam o local para postar reviews sobre o produto.
No entanto, no Brasil, alguns empreendedores aproveitaram a tendência e investiram na novidade em seus negócios.
Um exemplo é a empreendedora Manuela Ornelas, conhecida como Manu da Peixaria. Ela é dona de uma peixaria, um bar e um restaurante que serve rodízio de comida japonesa e coreana no Rio de Janeiro. Recentemente, divulgou em seus canais digitais a abertura de um estabelecimento em Copacabana, onde irá vender apenas os famosos sushis no tubo.
Ornelas anuncia a novidade com entusiasmo: “É um ‘pegou e saiu andando’ de sushi, um produto muito encontrado em restaurantes e majoritariamente à noite”, diz a empresária. “Eu rodei o bairro de Copacabana e percebi que faltava isso: opção de comida japonesa durante o dia. Então, pelo local estratégico e a facilidade de comer, acho que vai explodir de vender”. A loja, prevista para inaugurar no dia 29 de junho, fica ao lado da estação de metrô Cantagalo, na rua Barata Ribeiro, uma das mais movimentadas do bairro.
A novidade veio da necessidade da empreendedora de implementar coisas inovadoras em seus restaurantes. Ela já tinha trazido a tendência do Sea Food Boils, os famosos frutos do mar em sacos, e, olhando o seu feed do Instagram, se deparou com os vídeos virais dos sushis.
“A gente tem que estar o tempo todo olhando as novidades”, diz Ornelas. “Ter um negócio, é se reinventar, experimentar e atrair público. Então, ao ver a tendência, resolvi trazer para o Brasil”.
Com as vendas da nova loja, Ornelas prevê um faturamento de pelo menos R$ 200 mil ao mês.
Vinicius Herenyi, sócio-proprietário do KatoJapa, restaurante japonês em Vinhedo, no interior de São Paulo, também apostou na novidade. Ele fez o lançamento dos Push Pop Suhis como produto momentâneo, com apenas 100 unidades e vendeu 50% do estoque em cinco dias, com cada unidade custando R$ 44,90.
Herenyi conta que a ideia também veio ao se deparar com o sucesso dos sushis nas redes sociais. “Como o KatoJapa sempre teve essa energia jovem e inovadora, na hora já imaginamos o nosso público consumindo o produto”.
Para divulgar a novidade, o empresário revela que contou com um marketing nas redes sociais, devido à força que o produto já vinha tendo nesse ambiente. Ele convidou clientes especiais e influenciadores regionais para review e publicações.
“A atenção ao que acontece em outros países nos permite antecipar as tendências que podem chegar ao Brasil. Estar sempre antenado às redes sociais é um diferencial para ser pioneiro nos produtos virais”, conta Herenyi. “É necessário também enxergar a necessidade e possibilidade de ‘tropicalizar’ um produto para o nosso público, que tem cultura e hábitos diferentes de outros países”.
Herenyi batizou o produto de KatoPop e, devido à aceitação de seus clientes, principalmente os jovens, estuda mantê-lo no cardápio.
O Push Pop Sushi tem apelo nacional? Especialista comenta
Simone Galante, fundadora da consultoria Galunion e especialista em foodservice, estratégia e tendências, acredita que o sushi pode prosperar no Brasil, especialmente como produto de experimentação, novidade e compartilhamento. “O Push Pop Sushi reúne elementos que conversam muito bem com o comportamento atual do consumidor: visual forte, praticidade, porção individual, apelo para redes sociais e um certo senso de novidade”, diz Galante.
A especialista observa um terreno favorável para esse novo formato, devido à aceitação e presença forte da culinária asiática no país, especialmente nas grandes cidades. “O brasileiro já incorporou temaki, yakissoba, poke, pratos quentes e várias releituras orientais ao repertório de consumo”, aponta. “O prato pode entrar nos cardápios orientais como edição especial, produto de vitrine, item de lançamento, opção para eventos, festivais, delivery ou experiências de marca”. Galante ainda diz acreditar mais em uma adoção seletiva do que em uma substituição aos formatos tradicionais, que pode conviver com o sushi, temaki e combinados, mas precisa encontrar seu papel.
Segundo a especialista e estudos da Galunion, o consumidor brasileiro segue valorizando a experiência fora de casa, mas está muito mais criterioso. Ele procura novidades, mas compara preço, qualidade, conveniência e sensação de benefício. “Na nossa leitura, o consumidor não deixou de valorizar o restaurante, mas ele não aceita pagar qualquer preço. Portanto, o Push Pop Sushi pode prosperar se for tratado como uma inovação de formato com proposta de valor clara, e não apenas como um item ‘instagramável’”.
Empreendedores que apostam nestes novos formatos e maneiras de se consumir algo devem entender que viralização não é sinônimo de viabilidade, segundo Galante. Antes de investir, ele precisa testar dimensões de operação, margem, aceitação do consumidor e repetição de compra.
“A melhor estratégia é começar como teste controlado”, diz a especialista. “Eu recomendaria lançar primeiro como LTO, uma oferta por tempo limitado, com poucos sabores, ficha técnica precisa, preço bem calculado e monitoramento de vendas, recompra, percepção do cliente e operação”.
“Do ponto de vista operacional, o Push Pop Sushi exige embalagem específica, padronização, montagem cuidadosa, conservação adequada e controle rigoroso de temperatura. Sushi já é uma categoria sensível por natureza, pela presença de arroz, peixe, molhos e ingredientes frescos. Quando se muda o formato, muda também a engenharia de produção, a logística e a experiência de consumo”, observa ela, apontando um cuidado a ser tomado.
Em conclusão, a força do produto está menos em “ser sushi” e mais em ser um formato divertido, portátil e compartilhável, de acordo com Galante. Para restaurantes orientais, pode ser uma ferramenta de diferenciação e atração de novos públicos. Para marcas jovens, operações de shopping, eventos e negócios de alto fluxo, pode funcionar como produto de entrada ou item de experimentação. Para restaurantes mais tradicionais, pode ser usado com cuidado, respeitando identidade, qualidade e coerência com a proposta da casa.
A especialista aponta como maiores potenciais de vendas ambientes de alto fluxo e consumo por conveniência, como shoppings, aeroportos, eventos, festivais, feiras, entre outros. Também pode funcionar muito bem em ações promocionais, ativações de marca, collabs e datas comemorativas.