Número de unidades internacionais chegou a 4.194, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF); México e Colômbia são os principais países
O número de operações de franquias brasileiras no exterior cresceu 37% entre 2024 e 2025, atingindo 4.194 unidades. México e Colômbia são os principais destinos, com 631 e 532, respectivamente. Os dados são da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Ao todo, 202 marcas brasileiras estão presentes em 104 países. O número considera todos os formatos de operação internacional: lojas próprias, franquias, máster franquias, desenvolvedores de área, exportação e joint ventures.
Gustavo Freitas, diretor internacional da ABF, atribui o crescimento a uma combinação de fatores, incluindo o amadurecimento das redes brasileiras, que passaram a buscar novos mercados como estratégia de expansão e mitigação de riscos; o apoio de entidades do setor à internacionalização; e a consolidação de uma janela de oportunidades na América Latina, com maior interesse global pela região.
De acordo com Freitas, o crescimento no México ocorreu devido à expansão de um grupo de redes, especialmente nos segmentos de Alimentação e Serviços, com destaque para as operações de academias.
É o caso da SmartFit, que tem no México seu segundo maior mercado, atrás apenas do Brasil. Até o final de 2025, a rede de academias somava 1,1 mil unidades internacionais, sendo 465 no México. De acordo com a companhia, todos os países da América Latina são atraentes, mas o México se destaca pelo volume populacional. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), são mais de 131 milhões de habitantes.
Já a Colômbia tem se mostrado receptiva às marcas brasileiras, com um ambiente que facilita a adaptação dos modelos de negócio, segundo Freitas. Assim como em outros países da América do Sul, a proximidade geográfica e as similaridades culturais favorecem a adaptação e o crescimento, aponta o diretor da ABF.
João Véras, diretor de operações da Espaçolaser, rede que tem 49 unidades internacionais entre Chile e Colômbia, vivencia esse cenário na prática. No Chile, a empresa se destaca pela aderência do público ao segmento e à tecnologia do negócio. “Na Colômbia, a vantagem competitiva não está apenas na tecnologia, mas na forma como é operada, padronizada e entregue ao cliente”, afirma.
Presença de marcas brasileiras no exterior
| PAÍS | OPERAÇÕES | MARCAS |
| México | 631 | 25 |
| Colômbia | 532 | 24 |
| Portugal | 416 | 72 |
| Estados Unidos | 307 | 66 |
| Chile | 261 | 27 |
| Argentina | 261 | 23 |
| Paraguai | 232 | 55 |
| Peru | 170 | 18 |
| Espanha | 169 | 21 |
| Equador | 95 | 17 |
| Bolívia | 83 | 24 |
| Angola | 60 | 22 |
Fonte: Associação Brasileira de Franchising (ABF)
No recorte por marcas brasileiras no exterior, Portugal tem o maior número, com 72 marcas e 416 operações. Na sequência, os Estados Unidos concentram 66 marcas e 307 unidades. O Paraguai se destaca em terceiro lugar, com 55 franquias e 232 operações. Chile e México fecham os top 5, com 27 e 25 marcas brasileiras, respectivamente.
Estar presente em vários países faz parte da estratégia de algumas marcas. Na Chilli Beans, por exemplo, são 63 operações internacionais distribuídas por 16 países. “A diversificação de países nos ajuda a estar antenados às tendências culturais. Além disso, não depender exclusivamente de apenas um país fortalece a marca no mercado principal, o Brasil. Mostra que a empresa é sólida para investimento e estratégias globais”, afirma Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans.
O fortalecimento da marca, a diluição do risco e o acesso a novos ciclos de crescimento também são as principais vantagens observadas pela iGUi, de fabricação de piscinas. A rede conta com mais de 280 operações internacionais em 54 países. “Enquanto um mercado está mais desaquecido, outro pode estar em expansão, o que traz equilíbrio para o negócio como um todo. Também há um ganho importante de aprendizado — operar em diferentes países nos torna mais eficientes, inovadores e adaptáveis”, diz Filipe Sisson, fundador e CEO da iGUi.
Por outro lado, Sisson afirma que o maior desafio é lidar com a complexidade do processo de internacionalização. “Cada país tem sua própria legislação, cultura de consumo, dinâmica econômica e até percepção de valor sobre o produto.” Ele avalia que isso exige um alto nível de governança, padronização de processos e, ao mesmo tempo, flexibilidade para adaptações locais.
Todos os segmentos monitorados pela ABF contam com representantes brasileiros no exterior. Os destaques são Alimentação, com 42 marcas brasileiras e um forte impulso de negócios de açaí; Casa e Construção, com 41; e Comunicação, Informática e Eletrônicos, com 38.
Segmentos em destaque
Além de exportar negócios, o Brasil é um destino relevante para redes internacionais. Atualmente, 122 marcas estrangeiras operam no país, somando mais de 18,4 mil unidades. O volume corresponde a um avanço de 23% em relação a 2024. Os Estados Unidos são o principal ponto de origem dessas redes, com 47 marcas, seguidos por França (10) e Itália (8).
Presença de marcas estrangeiras no Brasil
| PAÍS | MARCAS |
| Estados Unidos | 47 |
| França | 10 |
| Itália | 8 |
| Espanha | 8 |
| Portugal | 7 |
| Argentina | 7 |
| Austrália | 5 |
| Canadá | 4 |
| Suíça | 3 |
| Bélgica | 2 |
Fonte: Associação Brasileira de Franchising (ABF)