A inteligência artificial não está apenas mudando o que produzimos, mas como pensamos a própria estrutura do mercado de trabalho e da inovação. Durante sua participação na Brazil Conference, realizada em Harvard e no MIT, Cesar Carvalho, CEO e cofundador da Wellhub, trouxe uma perspectiva provocadora sobre o futuro dos negócios e a longevidade da carreira empreendedora. Para o executivo, o eixo de valor se deslocou: a vantagem competitiva agora reside na capacidade intelectual de questionamento, e não apenas na execução técnica.
Carvalho enfatizou que o papel do ser humano nesse novo cenário é o de liderança estratégica e criativa. “O grande diferencial nesta era da inteligência artificial não é mais sobre ter as respostas, mas sim sobre fazer as perguntas certas. A IA vai nos fornecer as respostas, e nossa criatividade é única, temos todos os ingredientes necessários para criar algo excepcional daqui para frente”.
A análise do CEO da Wellhub também tocou em um ponto crucial para o ecossistema de startups: a democratização do acesso à tecnologia. Segundo Carvalho, estamos vivendo uma janela de oportunidade sem paralelos nas últimas duas décadas devido ao barateamento drástico dos custos de desenvolvimento. Ele projeta que o custo para criar software e estruturar empresas de tecnologia está em uma trajetória descendente que pode chegar próxima de zero. “Não sei se houve algum outro período nos últimos vinte anos tão oportuno para quem pensa em montar novos negócios. Estamos vivendo um deslocamento tecnológico significativo que cria janelas de oportunidade raras”.
Além do fator custo, a longevidade humana surge como um componente transformador do empreendedorismo moderno. Carvalho defende que, com o aumento da expectativa de vida e a simplificação do processo de inovação, o ato de empreender deixará de ser um evento único na juventude para se tornar uma possibilidade recorrente ao longo de toda a vida. “As chances de empreender não estão limitadas ao agora, elas surgirão novamente em dez, vinte ou trinta anos. Veremos cada vez mais empreendedores de todas as idades, de sessenta ou setenta anos, pois as barreiras estão diminuindo e os ciclos de vida profissional estão mudando. A oportunidade é real e acessível para todos”.