Empreendedorismo jovem cresce 25% em 12 anos em todo o país

O empreendedorismo jovem segue em crescimento em todo o Brasil. Um levantamento do Sebrae aponta que o número de donos de negócios com idade entre 18 e 29 anos cresceu 25% nos últimos 12 anos, passando de quase quatro milhões em 2012 para cerca de cinco milhões em 2024.

Além do aumento no contingente de jovens empreendedores, a renda média desse público também registrou avanço significativo. Em 2024, os jovens donos de negócios alcançaram rendimento médio de R$ 2.567. Segundo dados do IBGE, este é o maior valor desde o início da série histórica. Nos últimos três anos, esse rendimento cresceu 25,4%, índice superior ao aumento da média nacional, que foi de 22,9% no mesmo período.

Apesar do avanço, a renda média dos jovens ainda é 26,2% inferior à média geral dos donos de negócios no país, que chegou a R$ 3.477 em 2024. A diferença, embora expressiva, vem diminuindo gradativamente, sinalizando um movimento de amadurecimento e fortalecimento desse segmento.

O cenário é reflexo de mudanças significativas no modo de empreender. A digitalização, a expansão das redes sociais, o acesso facilitado à formalização e às novas tecnologias, por exemplo, têm impulsionado os jovens a empreenderem cada vez mais cedo. Muitos começam vendendo produtos na escola, criando marcas no Instagram ou até mesmo oferecendo serviços digitais pelo celular.

Embora seja inspirador, o empreendedorismo entre os jovens evidencia a necessidade de qualificação técnica, educação financeira e preparo emocional para enfrentar os desafios do mercado.

Para Jefferson Cavalcante, analista da Unidade de Cultura Empreendedora, o avanço dos empreendimentos liderados pelos jovens dependerá diretamente da dedicação e do incentivo oferecido a esse público. “A criação e a ampliação de políticas públicas voltadas à formalização, à capacitação e ao acesso ao crédito para jovens empreendedores também são fundamentais para esse crescimento”, afirma.

O empreendedorismo começa na escola

No Ceará, o estímulo ao empreendedorismo jovem começa ainda na educação básica, por meio do JEPP – Jovens Empreendedores Primeiros Passos, metodologia desenvolvida pelo Sistema Sebrae e integrada ao Programa Nacional de Educação Empreendedora.

O JEPP é voltado para estudantes do 1º ao 9º ano do ensino fundamental e tem como objetivo disseminar a cultura empreendedora desde a infância, fortalecendo atitudes, valores e competências que vão além da criação de negócios. “A proposta do JEPP é trabalhar a cultura empreendedora como forma de estimular os jovens em diversos âmbitos, como criatividade, autonomia, responsabilidade, cooperação e capacidade de resolver problemas. Ao longo desses anos, o Sebrae/CE tem conquistado resultados bastante expressivos. Para se ter uma ideia, o programa já alcançou mais de 398.200 jovens em todo o Estado”, destaca Jefferson.

Implantado nas redes municipais de ensino mediante parceria com o Sebrae/CE, o programa é aplicado por professores da própria rede pública, que passam por formação específica. A metodologia pode ser incorporada à grade curricular ou desenvolvida como projeto pedagógico contínuo.

Cada etapa do ensino fundamental aborda uma temática empreendedora adequada à faixa etária dos alunos, conectando aprendizagem ao cotidiano, à cultura local e à sustentabilidade. “Entre as atividades desenvolvidas estão projetos como jardins sensoriais, produção de brinquedos ecológicos, iniciativas culturais, experiências com sabores regionais e, nos anos finais, temas como tecnologias digitais, soluções sustentáveis e robótica”, ressalta.

Jovens empreendedores de Crateús

No distrito de Monte Nebo, em Crateús, cinco estudantes transformaram um incentivo de R$ 100 em ponto de partida para a vida empreendedora. Atualmente, no 1º ano do ensino médio, os jovens começaram a empreender ainda no 9º ano do ensino fundamental de uma escola municipal da região, utilizando como capital inicial o recurso do programa Pé-de-Meia, concedido pela Prefeitura.

Com apoio dos familiares, os alunos decidiram investir primeiro em capacitação. Antes de abrir o próprio negócio, aplicaram o recurso em cursos profissionalizantes, buscando qualificação técnica para atuar com mais segurança e planejamento. Só depois partiram para a compra de equipamentos e insumos necessários para, então, iniciar o negócio.

Quatro alunas optaram por empreender nos segmentos de estética e de confeitaria, oferecendo serviços e produtos à comunidade local. Já o único aluno do grupo decidiu investir em artes manuais, trabalhando com desenhos, pinturas e caricaturas, transformando talento em fonte de renda.

Sob a orientação da professora de empreendedorismo Klesciane Honorato, o processo foi construído com muita responsabilidade. “Desde o início, eu orientei os alunos sobre a importância de organizar bem o negócio, estruturar corretamente cada etapa e, principalmente, calcular o fluxo de caixa. Eles precisavam entender quanto investiam, quanto faturavam e quais eram os custos, para manter o negócio ativo e sustentável ao longo do tempo. Empreender não é só vender, também é saber gerir”, destacou.

Cursando o ensino médio, os estudantes conciliam a rotina escolar em período integral com a gestão dos pequenos negócios, realizando suas atividades profissionais principalmente aos finais de semana.

A iniciativa revela como o estímulo ao empreendedorismo desde cedo pode despertar protagonismo juvenil e ampliar horizontes, especialmente em comunidades do interior. Com orientação, apoio familiar e incentivo educacional, os jovens de Monte Nebo mostram que é possível transformar uma pequena oportunidade em um projeto concreto de futuro.

Fonte: Agência Sebrae