A Snapfy.ai entrou no mercado com solução de criação de imagens e vídeos e já atende clientes como Aramis, Santa Lolla e Track&Field
A pressão para lançar coleções cada vez mais rápido, com menos margem para erro e custos mais baixos, tornou a etapa de criação um gargalo para o varejo de moda. Escolher o que desenvolver e quais produtos fotografar ainda se mostra um processo caro, lento e pouco conectado a dados. É nesse ponto que a Snapfy.ai quer se posicionar: como um copiloto de inteligência artificial para orientar decisões criativas e acelerar o desenvolvimento de produtos.
À frente da startup está Douglas Losacco, empreendedor que cresceu em uma família de lojistas, fez seu primeiro exit ao vender a Vesteer para a Malwee, em 2018, e agora volta a apostar em tecnologia para atacar uma dor que conhece de dentro do setor.
Losacco conta que sempre se incomodou com a pressão do tempo curto para produção, com demandas frequentes por novidades – ritmo que não é acompanhado pela cadeia. “Escolhemos a geração de imagens e vídeos com IA como porta de entrada. É uma tecnologia que vai se tornar commodity, vai ser fácil replicar, mas quem já tiver dados do varejista está na frente”, comenta.
Segundo números da startup, os clientes economizam, em média, 70% no processo de criação de imagens. A estimativa é de que as entregas sejam 4x mais rápidas do que o modelo tradicional, que demanda seleção de casting e equipe, locação de estúdio e tratamento de imagens.
Atualmente focada na geração de fotos e vídeos, a startup quer se tornar um copiloto de IA com quem os times de estilo podem conversar e fazer brainstorms na fase de criação de coleções. A plataforma vai cruzar dados de vendas, tendências de mercado e comportamento de consumo, para sugerir produtos e criar protótipos em segundos, diminuindo os custos e possibilitando a entrada nos canais de venda antes mesmo da produção. Alguns clientes já testam a solução, que tem lançamento previsto para março.
“Não queremos substituir os profissionais, mas dar superpoderes a eles. Hoje eles são cobrados pelo que não conseguem entregar. Existe um gap de formação em tecnologia e, atualmente, os dados não servem para nada, não são usados de verdade. Precisamos fazer com que eles se transformem em algo de valor para a operação”, comenta.
A startup acaba de conquistar um aporte, de valor não revelado, de STAMINA VC, Canastra Ventures e WOW. Losacco afirma que o desejo inicial era seguir bootstrapping [se financiando com o próprio capital], mas o know-how dos investidores em varejo fez diferença. “Não fizemos roadshow, mas falamos com o mercado. Recebemos algumas ofertas e escolhemos esses fundos por fit cultural”. O CEO acrescenta que negócios de IA demandam outro tipo de velocidade para se manter atualizados e isso demanda caixa. A injeção de capital será direcionada para desenvolver a tecnologia e evoluir o produto de copiloto.
Segunda viagem
A primeira startup foi fundada ao lado de Vinicius Andrade, em 2012, com uma solução de e-commerce para marcas emergentes. A empresa chegou a faturar R$ 40 milhões, mas operava com margens apertadas. Em 2018, foi vendida para a Malwee. “Era um momento de ganhar escala e depois ver como gerar lucro. Vendemos a startup para dar sequência ao sonho dentro de uma empresa maior. Não foi uma jornada que me deu dinheiro, mas me trouxe muita experiência”, afirma.
Dentro do grupo, Losacco participou do lançamento das marcas Basicamente e Basico.com e, depois, passou pela Santa Lolla — onde identificou de perto a dificuldade de decidir quais produtos fotografar e como isso impactava as vendas.
Em 2023, ele repetiu a dupla com Andrade e se juntou a Carlos Bezerra e Bruno Freitas para começar a trabalhar na ideia da nova startup e surfar na onda da IA. Eles deram os primeiros passos prestando consultoria e, no ano seguinte, Losacco deixou a Santa Lolla para apostar no negócio. “Empreender sempre é um risco. Fui usando os primeiros clientes para montar o produto. A consultoria podia existir, mas o perfil do mercado brasileiro demanda a parte de serviço. Percebi que precisaria do software para escalar”, comenta.
Os cofundadores investiram mais de R$ 1 milhão para desenvolver a tecnologia e o primeiro produto foi lançado em agosto de 2025. Atualmente, 18 empresas já utilizam a plataforma para criação de imagens e vídeos, como Aramis, Track&Field, Santa Lolla, Caedu, Lojas Torra e Sidewalk, mas também atua nos segmentos de decoração e beleza. “Os clientes vieram muito do relacionamento nesse começo. Há vantagens e desvantagens de vir do setor: você fica enviesado para empreender com o que conhece, mas em contrapartida já construiu um nome e conhece as pessoas”, destaca.
Para ter acesso à tecnologia, as empresas pagam uma mensalidade que engloba o software e o consumo de créditos que se transformam em fotos, vídeos, banners, croquis ou catálogos. São três planos: de entrada, para marcas que faturam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por mês; intermediário, para faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões por ano; e enterprise, com faturamento anual acima de R$ 50 milhões – de onde vem a maioria dos clientes. Segundo Losacco, o tíquete médio é de R$ 5 mil.
A startup estima chegar ao fim de 2026 crescendo 10x em comparação com 2025, com cerca de 70 clientes utilizando a plataforma de inteligência artificial como copiloto de criação. O CEO afirma que também explorará uma oportunidade de internacionalização para o Canadá. “A operação do varejo ainda é uma colcha de retalhos, do ponto de vista técnico. Temos como oferecer sistemas que entendam a jornada de fato e se integre a outras soluções”, pontua.