Search
Close this search box.

Como as startups estão se adaptando ao novo cenário econômico do Brasil e do mundo

O mercado de startups está dividido sobre se o momento atual será de investimento ou não. No começo do ano, vimos diversas matérias falando que este seria o ano da retomada, e outros dizendo que 2023 ainda seria de baixa nos investimentos.

O que temos de concreto até hoje?

No primeiro trimestre de 2023, o capital levantado pelas startups no Brasil caiu 86% quando comparado a 2022. Mas esse cenário não é apenas por aqui; no mundo, a queda foi de 53%, tendo como referência o mesmo período do ano passado.

Foram realizadas 91 rodadas de investimento em startups neste ano, o que movimentou o mercado com uma injeção de US$ 247,02 milhões. No mesmo trimestre do ano passado, o setor contabilizou 306 rodadas e US$ 1,7 bilhão em investimentos.

O mercado ainda aposta nos investimentos sendo alavancados pelo M&A, ou seja, grandes empresas ou corporações comprando participações ou a integralidade da startup.

Outra saída que os fundadores vêm buscando para manter a operação é o venture debt, que nada mais é do que operações de dívida.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É a resiliência das startups se mostrando cada vez mais evidenciada. Enquanto o mercado responde ao momento de instabilidade, com fuga de capital para fora do Brasil, os empreendedores encontram caminhos para sanar a dificuldade.

Nos três primeiros meses de 2023, o número de transações de dívida de startups já tinha registrado uma alta de 14%, na comparação com o período equivalente de 2022.

Alguns investidores se questionam se é o momento ideal para investir. Olhando o curto prazo, a macroeconomia brasileira, temos uma taxa de juros alta, que favorece o investimento em renda fixa; o governo aumentando gasto público e, consequente aumento de impostos para suportar seus gastos; inflação tendendo a alta pelo aumento dos impostos, principalmente quando falamos em combustíveis – que reflete em todos os setores e impacta o consumidor final.

No mercado global, ainda temos inflação em duas casas nas grandes economias, taxa de juros também alta, receio de recessão global e fatores geopolíticos em andamento.

GIRO DO MERCADO: Seu programa diário de segunda a sexta-feira, sempre ao meio-dia para te trazer todas as notícias que fervem no mercado financeiro e as análises que impulsionam seus investimentos! Salve o link e não perca!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas, vale lembrar que as startups têm uma parcela relevante de seu valor atribuído ao longo prazo, portanto uma mudança nos juros pode afetar significativamente o crescimento da empresa.

O momento é de cautela para entender exatamente qual a proposta da startup, se ela apresenta diferenciação, qual o tamanho do mercado que ela está inserida e também a capacidade da equipe de levar esta empresa para o próximo nível.

As startups em estágio inicial possuem um valor de mercado ainda baixo, que pode trazer múltiplos significativos para seus investidores. Não é recomendável aportar todo dinheiro em uma única empresa, e sim diversificar portfólio, olhando para ventures builders que trazem mais segurança ao investimento!

Startups vivem momento de controle e rentabilidade

As startups, independente do estágio, precisam entender o momento atual e como caminhar até o mercado voltar a se aquecer. Claro que não podemos esperar a euforia dos anos de 2020 e 2021, mas um reaquecimento pré-pandêmico. Elas precisam esticar seu runaway, fazer o dinheiro durar mais, e isso se faz reduzindo custos, aparando as arestas. Focar no produto, entender o mercado, segmentar e atacar um nicho de cada vez.

O que era antes “crescimento a qualquer custo”, virou “crescimento com controle e rentabilidade”. Ou seja, os fundadores devem sim ser mais cautelosos em seus gastos, e buscar o breakeven, que antes era algo de longo prazo.
Para startups que já captaram, mas precisam ainda de fôlego antes de aumentar seu valor, as rodadas bridges se tornaram essenciais, e devem cada vez mais aparecer no radar dos investimentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os estágios das startups voltaram a ser respeitados no momento da captação, tendo os valuations bem de acordo com estes estágios; e ainda, os valores das rodadas estão retomando as realidades das séries de captação. As rodadas de séries A, que estavam em torno dos US$ 8 milhões aos US$ 12 milhões, estão agora sendo efetuadas com tamanhos entre US$ 4 mil e US$ 6 mi. As Séries B caíram de US$ 20 milhões para US$ 10 milhões.

Uma dificuldade que estamos vendo no dia a dia são os fundos sem apetite para liderar rodadas. Eles estão esperando a entrada de outros players para dividir o risco. Com isso, os founders vêm buscando mais follow on do que um road show.

Existe dinheiro disponível, tanto em fundos de venture capital quanto em corporate venture capital, mas o investidor está arisco, está cauteloso. Isso faz com que os empreendedores e o mercado se ajustem. O que é muito positivo para ambas as partes. Há também a opção da dívida para manter o negócio, o que confirma aos investidores que os founders estão comprometidos com o negócio e dispostos a enfrentar o desafio – o que é muito positivo.

Fonte: Moneytimes