Após encerrar a Mercado Diferente no fim do ano passado, Eduardo Petrelli fundou a Agent.Shop de olho em uma nova fase de digitalização do varejo
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Eduardo Petrelli voltou a empreender. O fundador do James Delivery e do Mercado Diferente – que encerrou operações em dezembro de 2024 – agora está por trás da Agent.Shop, plataforma que orquestra o uso de agentes de inteligência artificial para que lojistas aumentem suas vendas, ao lado de Paulo Monçores. A startup anuncia a chegada ao mercado junto com um aporte pré-seed de R$ 5,5 milhões. “Nos juntamos em um momento ideal para uma nova jornada que, na nossa opinião, tem tudo para ser a última de nossas vidas”, declara Petrelli.
As duas jornadas prévias terminaram de formas diferentes: enquanto a James Delivery foi vendida para o Grupo Pão de Açúcar, em 2018, a Mercado Diferente foi impactada pela virada no mercado para as startups. A startup chegou a captar R$ 50 milhões ao longo da jornada e faturou a mesma cifra, mas foi vítima do capital mais escasso para a inovação nos últimos anos.
“Com a alta das taxas de juros, o mercado mais impactado foi o de margens baixas, que é o caso do varejo alimentar. Foi um grande aprendizado porque estávamos em uma trilha de crescimento acelerado, dependendo do capital de risco e tivemos de encerrar a jornada ao não conseguir uma nova rodada”, relembra.
Petrelli conta que recebeu ofertas de trabalho, mas já vinha acompanhando o impacto da inteligência artificial e as novas jornadas de compras conversacionais. Ele se uniu ao cofundador da Diferente, Monçores, que tem experiência prévia em grandes plataformas de e-commerce, como Shopify e Vtex, para voltar a empreender no segundo trimestre deste ano.
Startups
“Atualmente, acredita-se que a mudança para o comércio conversacional, algo que o ser humano está mais acostumado do que interagir digitando em uma tela, tem a tendência de ser maior do que a revolução do mobile. O que me dá ambição é o tamanho da oportunidade, queremos fazer parte desse futuro”, afirma.
A plataforma da Agent.Shop possibilita que marcas utilizem agentes de inteligência artificial para oferecer uma experiência conversacional com seus clientes. A ferramenta disponibiliza mais de 20 integrações, incluindo os principais e-commerces (Vtex, Shopify, Nuvemshop), e ERPs, trazendo as informações das empresas, como FAQ, conteúdo sobre produtos e catálogo, que é enriquecido com tecnologia para permitir pesquisas contextuais — como perguntar o vinho que harmoniza melhor com determinado prato. A plataforma também tem integração com meios de pagamentos e logística.
Os agentes proprietários, treinados com o tom de voz das empresas, podem ser integrados no WhatsApp ou no e-commerce das marcas, acompanhando os clientes durante todo o processo de compra. “Vamos permitir a inclusão no Instagram, no iMessage, no ChatGPT, em tudo que há conversa será possível distribuir o catálogo de produtos e fazer vendas de forma nativa conversacional”, acrescenta.
20 empresas contrataram o serviço enquanto a startup estava em stealth (operando fora do radar). A primeira versão da plataforma foi lançada há três meses, e os testes iniciais mostram aumento de sete vezes na conversão de vendas em comparação com o e-commerce e retorno sobre o investimento (ROI) de 10 vezes. “Queremos chegar a 100 clientes até o fim do ano, com potencial de vendas online de R$ 40 milhões mensais, além de aumentar a relevância dentro dos lojistas que já atendemos”, diz.
A monetização da startup é baseada em resultados, sem cobrança de mensalidades. Se o agente concluir uma venda, a Agent.Shop recebe uma taxa, que varia de acordo com o faturamento do lojista, o volume de SKUs cadastrados e o gateway de pagamento utilizado.
A startup captou o pré-seed para aumentar o time, que cresceu para nove pessoas – sendo seis de tecnologia. MAYA Capital e Caravela Capital, fundos investidores da Diferente, participaram do aporte, além do family office Mira Capital, fundado pelos coCEOs da Vtex e com olhar direcionado para e-commerce. De acordo com Petrelli, o objetivo é manter a equipe enxuta até haver uma maior clareza sobre as oportunidades de escala. Também não há pressa para uma nova captação.
“Quando o fit com o mercado estiver claro, com certeza vamos para uma trilha mais acelerada e captar novamente com venture capital. Mas não temos pressa porque não sabemos em quanto tempo o mercado vai mudar, quanto tempo os lojistas vão demorar para adotar esse canal. Queremos estar prontos para o momento certo”, pontua.
As ambições são grandes e incluem a internacionalização. De acordo com Petrelli, as barreiras que existiam para a escala global diminuíram com o advento da inteligência artificial e a startup já atende clientes com operações nos Estados Unidos, além de ter iniciado conversas com empresas que atuam em outros países da América Latina. “Diferentemente da época do mobile, que existia um gap tecnológico de um ano, um ano e meio, hoje as coisas andam na mesma velocidade, a revolução vai acontecer no mundo inteiro. Estamos abertos a encontrar oportunidades para escalar”, finaliza.