Na esquina mais movimentada da rua Tolentino Filgueiras — hoje conhecida como “via gastronômica” de Santos —, o 472 Bar nasceu em 2016 do sonho de três amigos: Matteus Calistro Yoshimi, 33 anos, Cadu Argentieri Jordão, 36, e Luciano Moretti Falcão, 31. Com um investimento de cerca de R$ 250 mil — levantado a partir da venda de carros e economias pessoais —, o trio queria criar um bar que fosse “de verdade”: com boa música, comida de qualidade e atendimento próximo.
De acordo com eles, o nome escolhido carrega significado duplo. Além de ser o número do imóvel, a soma dos algarismos (4+7+2) resulta em 13, o DDD da Baixada Santista. “Parecia um sinal. O nome tinha que ser esse”, diz Yoshimi.
No início, nada de glamour. Os três sócios faziam de tudo: atendiam mesas, lavavam copos e até pintavam o salão. “O dono precisa estar presente. Quando o cliente vê que você se importa com cada detalhe, ele volta”, diz Falcão. Jordão completa: “A gente queria criar um bar onde nós mesmos gostaríamos de ficar. Essa autenticidade foi o que fez as pessoas se conectarem.”
O investimento arriscado deu certo. O 472 rapidamente virou ponto de encontro na cidade, conhecido por unir música ao vivo, gastronomia e ambiente descontraído. No início, o local chegava a atrair cerca de 2,5 mil pessoas por mês.
A pandemia de 2020 trouxe o maior desafio da trajetória. O bar ficou fechado por meses, mas os sócios decidiram que não iriam desistir. Aproveitaram o período para reformar e ampliar o espaço. “Foi um risco enorme. Estava tudo parado, mas acreditamos que o público voltaria. E voltou — em dobro”, afirma Yoshimi.
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O resultado foi um novo 472, com estrutura moderna, palco para apresentações ao vivo e um cardápio reformulado. Hoje, o faturamento ultrapassa R$ 7 milhões anuais e a expectativa é crescer ao menos 30% com a expansão já em andamento — o bar deve incorporar o imóvel vizinho em 2026, aumentando a capacidade em mais de cem lugares.
A presença constante dos donos é apontada por eles como um dos segredos do sucesso. “Mesmo com a equipe maior, a gente ainda está no salão, conversa com os clientes, sente o clima da casa. O público percebe quando o dono está por perto”, afirma Falcão.
O setor de bares e restaurantes passa por um novo desafio com a escalada da “crise do metanol”, decorrente de contaminações causadas por bebidas adulteradas. Os sócios do 472 dizem não ter tido impactos significativos no momento, mas que estão reforçando com os consumidores a confiabilidade da origem do estoque. “Todas as notas fiscais de compras ficam sempre disponíveis na casa para uma possível fiscalização dos órgãos como também para consulta dos clientes”, diz Jordão.
Os fundadores dizem que já estudam expandir o negócio por meio de franquias, com foco em cidades do interior paulista. “O objetivo é crescer com qualidade. Não queremos perder o DNA do 472, que é o atendimento próximo e a autenticidade. O sucesso vem quando o cliente sente que faz parte da casa”, afirma Jordão.