Dia do empreendedor: sonho de ter o próprio negócio é maior entre geração Z — e com propósito

A geração Z já representa uma parcela significativa entre os empreendedores brasileiros. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2024, que monitora o empreendedorismo mundial, 28,5% dos donos de negócios brasileiros têm entre 18 e 34 anos. Sendo a faixa etária que mais afirma sonhar com o próprio negócio (sonho de 38,6% da geração Z), a busca por construir patrimônio e fazer a diferença no mundo são os principais motivadores para os jovens que querem começar uma empresa.

O Dia do Empreendedor, ou Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, celebrado neste domingo (5/10), é em referência à data de aprovação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Lei nº 9.841), em 1999, quando os negócios passaram a ter mais acesso à formalização e simplificação tributária. Isso abriu portas para a criação do Simples Nacional, em 2006.

Para Décio Lima, presidente do Sebrae, a presença de pessoas mais jovens no ecossistema do empreendedorismo e as mudanças nas motivações para empreender são reflexo dessa estrutura conquistada nas últimas duas décadas. “O mundo mudou e os valores da relação de trabalho também. As pessoas querem ser donas do seu tempo e o empreendedorismo vem sendo a porta dos sonhos para esta liberdade”, diz Lima.

De fato, a geração Z, composta por pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e 2010, ou seja, com idades entre 15 e 30 anos atualmente, já apresenta características que a diferencia de gerações anteriores. A motivação para empreender, citada por Lima, é uma delas.

De acordo com o GEM, enquanto empreendedores iniciais (à frente de um negócio há um período entre 3 meses e 3 anos) de 55 a 64 anos buscam no empreendedorismo sobretudo uma forma de “ganhar a vida” (80,3% das pessoas), aqueles entre 18 e 34 são motivados por “construir uma grande riqueza ou uma renda muito alta” (80,6%) e por “fazer diferença no mundo” (62,7%).

É o caso de João Henrique Innecco, que cofundou a fintech Ecx Pay aos 21 anos. Para ele, a criação da startup, que tem como objetivo oferecer um único cartão que reúna diferentes benefícios corporativos, foi impulsionada por uma vontade de, além de inovar, criar uma cultura corporativa diferente do que ele vivia no mercado.

“Muitas vezes, na empresa tradicional, eu sentia processos burocráticos que não faziam sentido. Fundar meu negócio foi a chance de transformar esse olhar em prática”, diz Innecco, hoje com 23 anos.

Atualmente, a empresa conta com um portfólio de clientes que inclui nomes como MRV, Ferrero Rocher e Fiocruz. A fintech já movimenta cerca de R$ 400 milhões por ano e atende 1,8 mil empresas no Brasil.

Nesse cenário, 57,4% dos empreendedores iniciais da geração mais jovem afirmam que empreendem por oportunidade, contra 42% entre os que têm entre 55 e 64 anos. Foi a observação de uma oportunidade de mercado que levou Cláudio Leal Gonçalves, hoje com 28 anos, a trocar a carreira analista de telecomunicações para empreender.

Depois de se deparar com o crescimento dos minimercados autônomos, ele decidiu conhecer redes para se tornar um franqueado. Em janeiro do ano passado, Gonçalves abriu sua primeira unidade da Minha Quitandinha, em São Paulo (SP). Hoje, o jovem já administra quatro lojas. Com isso, sua renda mensal saltou de R$ 3 mil, como analista de telecomunicações, para mais de R$ 60 mil.

Como franqueado, Gonçalves entrou em um dos setores que mais atrai a geração Z. Segundo o GEM, 12,8% dos empreendedores iniciais de 18 a 34 anos atuam com “alojamento e alimentação”, terceira categoria que mais abriga os jovens empreendedores. O primeiro lugar é ocupado por “comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas” (26%), seguido por “atividades profissionais, científicas e técnicas” (15%).

Para gerir os negócios, os empreendedores da geração Z vêm contando com apoio de diferentes órgãos. Ao todo, 32,9% dos empreendedores de 18 a 34 anos já procuram por ajudas especializadas, com destaque para contadores (48,7%), sendo proporcionalmente a geração que mais busca por ajuda profissional para contabilidade.

Paula Pinho, 30 anos, franqueada de três unidades do Gendai, do Grupo Trigo, afirma que o apoio especializado foi essencial. “Eu sabia que eu tinha que ter todo o amparo possível e suporte para que eu pudesse crescer. Se não, realmente eu ficaria limitada a uma ou duas unidades no máximo. E ainda assim eu ficaria presa numa rotina desgastante, burocrática, que é a realidade da maioria dos empresários”, aponta a empreendedora, que abriu a primeira unidade aos 27 anos.

Para ela, que começou a empreender em busca de viver uma vida mais alinhada com seus propósitos, o maior desafio de abrir um negócio cedo é a desconfiança de outras pessoas em razão da idade.

“Muitas pessoas olham com admiração, mas outras com uma desconfiança: ‘como será que funciona, será que ela é capaz, será que ela consegue gerir os negócios dela de uma forma legal?’. Principalmente, outros empresários mais velhos e pessoas que veem de fora”, diz.

Fonte: Revista PEGN